Após cenário de ratos e sujeira no Centro de Divinópolis, morador em situação de rua volta a receber acolhimento em ação da Semds

Enquanto moradores relatavam preocupação com a presença de ratos e resíduos na Avenida Primeiro de Junho, a Semds reforçou o acompanhamento de um caso que já mobiliza a rede socioassistencial há cerca de seis anos.

Publicado por: Cassia Misael

Mais uma ação da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semds) foi realizada na manhã desta quarta-feira (17), junto a um morador em situação de rua que permanece na região da Avenida Primeiro de Junho, no Centro de Divinópolis. A abordagem reforçou um trabalho desenvolvido de forma permanente pela rede socioassistencial do município e evidenciou os desafios enfrentados diariamente pelas equipes que atuam no acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade.

À frente da ação esteve o gerente da Semds, João Cândido, que acompanha o caso há aproximadamente seis anos. Conforme explicou, diversas tentativas de acolhimento, orientações e encaminhamentos já foram realizadas ao longo desse período. Entretanto, a adesão aos serviços disponibilizados pelo município não ocorreu de forma contínua.

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“A Prefeitura conta hoje com uma rede solidificada que realiza esse atendimento diretamente nas ruas, promovendo acolhimentos e encaminhamentos para as políticas públicas necessárias. Esse usuário já é conhecido pela rede socioassistencial e diversos encaminhamentos já foram realizados. No entanto, ele não adere aos acolhimentos oferecidos nem aos tratamentos indicados”, afirmou João Cândido.

De acordo com o gerente, o acompanhamento ocorre há cerca de seis anos e envolve um trabalho contínuo de construção de vínculo, orientação e busca por alternativas capazes de contribuir para a superação da situação de vulnerabilidade. Ainda segundo ele, a principal dificuldade está relacionada ao uso abusivo de substâncias psicoativas, fator que acaba dificultando a permanência em tratamentos e acolhimentos oferecidos pela rede pública.

Enquanto a assistência social mantinha esse acompanhamento permanente, a situação vivida no local também passou a chamar a atenção de moradores, comerciantes e trabalhadores da região central. Nos últimos dias, o Divinews recebeu diversas denúncias relatando acúmulo de resíduos, restos de alimentos, presença de ratos e ocupação irregular da calçada na esquina da Avenida Primeiro de Junho com a Rua Itapecerica.

As reclamações geraram preocupação devido aos possíveis riscos sanitários em uma das áreas mais movimentadas da cidade. Entretanto, conforme esclarecido pela Semds, a abordagem realizada nesta quarta-feira faz parte de um trabalho que já vinha sendo desenvolvido anteriormente pela rede de assistência social.

Rede de assistência atua de forma permanente

Segundo a Semds, o atendimento às pessoas em situação de rua ocorre de maneira contínua em diferentes regiões do município. Equipes especializadas realizam abordagens diretamente nos locais onde os usuários permanecem, oferecendo acolhimento, orientação, encaminhamento para serviços públicos e acesso às políticas sociais disponíveis.

Mais do que retirar pessoas dos espaços públicos, o trabalho busca promover atendimento humanizado e fortalecer vínculos que possam facilitar o acesso à proteção social.

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No caso da Avenida Primeiro de Junho, João Cândido destacou que inúmeras oportunidades de acolhimento já foram apresentadas ao usuário ao longo dos anos.

“Nós já acompanhamos esse usuário há aproximadamente seis anos. Nesse período, realizamos orientações, acompanhamentos e diversos encaminhamentos. Entretanto, ele não adere ao acolhimento e nem ao tratamento, principalmente em razão do uso abusivo de substâncias psicoativas”, explicou.

A situação evidencia um dos principais desafios enfrentados pelas equipes que atuam junto à população em situação de rua. Embora os serviços estejam disponíveis, a legislação determina que o acolhimento seja voluntário, respeitando a autonomia e os direitos individuais de cada cidadão.

Casa de Passagem possui vagas disponíveis

Durante a ação, outro ponto destacado pela Semds foi a disponibilidade de vagas na Casa de Passagem do município.

Segundo João Cândido, o equipamento continua funcionando de forma ininterrupta e permanece preparado para receber pessoas que desejam sair das ruas.

“Nossa Casa de Passagem possui capacidade para 25 pessoas e atualmente temos vagas disponíveis. O atendimento acontece 24 horas por dia. O acesso pode ocorrer por demanda espontânea ou por encaminhamento realizado pela rede socioassistencial, inclusive pela abordagem social”, ressaltou.

A estrutura oferece alimentação, higiene, local para pernoite e acompanhamento social, funcionando como importante ferramenta de acolhimento para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Apesar disso, a utilização do serviço depende da aceitação voluntária do usuário.

Denúncias acenderam alerta para questão sanitária

As denúncias recebidas pelo Divinews mostraram um cenário que preocupava moradores e comerciantes da região. Imagens enviadas à reportagem apontavam acúmulo de materiais, restos de alimentos, resíduos espalhados pela calçada e presença constante de ratos.

A situação ganhou repercussão não apenas pelo aspecto social, mas também pelos riscos relacionados à saúde pública.

Durante a abordagem realizada nesta semana, orientações específicas também foram repassadas ao usuário sobre a necessidade de evitar práticas que favoreçam a proliferação de roedores.

Segundo João Cândido, o próprio morador relatou que costumava alimentar os animais que apareciam na região.

“Durante a abordagem, ele nos informou que alimentava os ratos porque fornecia comida a eles. Realizamos as orientações necessárias e explicamos os riscos que isso representa para a saúde pública”, afirmou.

Ainda conforme o gerente, o usuário informou que deixará de alimentar os animais após as orientações recebidas.

Organização da área ocorreu por meio de diálogo

Outro aspecto destacado pela Semds foi a forma como a intervenção ocorreu.

Conforme esclarecido pela equipe, não houve retirada compulsória ou remoção forçada do morador.

O trabalho foi conduzido por meio de orientação e diálogo, respeitando os direitos do usuário e buscando uma solução que também atendesse às necessidades da coletividade.

“Não se trata de uma retirada. Trata-se de uma orientação. O próprio usuário realizou a separação entre aquilo que era considerado pertence pessoal e aquilo que era resíduo sólido, permitindo que fosse feito o descarte adequado”, explicou João Cândido.

A medida contribuiu para a organização da área e para a remoção de materiais considerados inadequados, sem comprometer os pertences pessoais do morador.

Desafio vai além da limpeza urbana

Embora a repercussão tenha ocorrido devido às condições observadas em uma das regiões mais movimentadas da cidade, profissionais da assistência social destacam que situações semelhantes envolvem questões muito mais amplas.

Dependência química, rompimento de vínculos familiares, problemas relacionados à saúde mental e vulnerabilidades acumuladas ao longo dos anos costumam fazer parte da realidade enfrentada por muitas pessoas que vivem nas ruas.

Por isso, soluções definitivas raramente dependem apenas de uma única ação.

Ao mesmo tempo em que a população cobra providências diante de problemas relacionados à limpeza urbana e aos riscos sanitários, as equipes da assistência social seguem desenvolvendo um trabalho permanente de acolhimento, orientação e construção de vínculos.

A ação realizada nesta quarta-feira (17) mostrou justamente essa realidade. Enquanto o poder público mantém portas abertas para acolhimento, tratamento e assistência especializada, a efetividade dessas políticas também depende da adesão daqueles que recebem o suporte disponibilizado.

No caso da Avenida Primeiro de Junho, a nova abordagem reforçou que o acompanhamento continua sendo realizado e que a rede socioassistencial permanece à disposição para oferecer novas oportunidades de acolhimento sempre que houver interesse por parte do usuário.

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