Embora representem apenas 14% das notificações de dengue no Brasil, idosos concentram 42% dos casos graves da doença. O dado surgiu de um estudo realizado em Uberaba e acendeu alerta sobre sintomas menos evidentes, maior risco clínico e necessidade de mudanças na assistência ao público acima de 60 anos. A pesquisa acompanhou 55 pacientes idosos atendidos entre 2014 e 2024 no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro. O levantamento avaliou características clínicas, condições pré-existentes e evolução dos quadros.
A investigação começou após profissionais observarem aumento de internações com apresentações diferentes das manifestações tradicionalmente associadas à dengue. Segundo os pesquisadores, muitos pacientes chegaram ao hospital com sinais que não direcionavam imediatamente para suspeita da doença, ampliando o risco de demora no reconhecimento clínico.
Os dados mostraram que 83,63% dos idosos hospitalizados possuíam pelo menos uma comorbidade associada. Além disso, 53,2% apresentaram trombocitopenia grave, condição marcada pela redução significativa das plaquetas e associada ao aumento do risco de sangramentos. Também apareceram alterações hepáticas e maior vulnerabilidade clínica durante a evolução da infecção. Os resultados reforçaram um ponto considerado central pelos autores: o envelhecimento pode mascarar manifestações típicas da dengue.
Na prática, sintomas menos característicos tendem a confundir a avaliação inicial, principalmente durante períodos de circulação elevada do vírus. Diante desse cenário, os pesquisadores defendem revisão dos protocolos internacionais para incluir critérios específicos voltados ao atendimento geriátrico. A proposta busca ampliar a capacidade de identificar precocemente pacientes com maior possibilidade de agravamento. Outro fator destacado envolve a prevenção. Como não existe vacina aprovada para todos os perfis de idosos, o acompanhamento clínico e a atenção aos primeiros sinais ganham ainda mais relevância.
O estudo também abriu espaço para novas investigações sobre comportamento da dengue na terceira idade. A equipe responsável já prepara um novo artigo científico com ampliação das variáveis analisadas e possibilidade de aprofundar o entendimento sobre fatores associados à gravidade. Especialistas envolvidos no levantamento avaliam que os resultados podem contribuir para políticas públicas mais direcionadas e para atualização das estratégias de enfrentamento da dengue em uma população cada vez mais numerosa.






