Com o tema “A liberdade não tem prazo de validade”, a campanha Junho Violeta deste ano busca sensibilizar a sociedade sobre as diferentes formas de violência praticadas contra pessoas idosas e incentivar a denúncia de casos suspeitos. A violência contra a pessoa idosa continua sendo uma realidade alarmante e, muitas vezes, invisível. Há registro de diversas formas de violência. “Violência física, psicológica, violência financeira ou patrimonial, negligência ou abandono, violência sexual.”
Mais de 1,6 milhão de denúncias foram registradas no país
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) revelam a dimensão do problema em âmbito nacional. Entre janeiro de 2024 e abril de 2026, o canal Disque 100 recebeu mais de 1,6 milhão de denúncias relacionadas à violência contra idosos em todo o Brasil.
A escalada dos números demonstra que o problema permanece em crescimento. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, foram registradas quase 250 mil denúncias, contra 209 mil ocorrências no mesmo período de 2025, representando um aumento de aproximadamente 19%.
Apesar da expressividade dos dados, especialistas alertam que os registros oficiais representam apenas uma parcela da realidade enfrentada diariamente por milhares de idosos.
Segundo o próprio ministério, muitas vítimas deixam de denunciar por medo de retaliações, dependência emocional ou financeira dos agressores, vergonha ou receio de romper vínculos familiares.
Divinópolis supera registros do ano passado
Em Divinópolis, os números acompanham a tendência nacional de crescimento e acende um sinal de alerta: somente em 2026, o município já contabilizou 1.397 registros de violações de direitos contra essa população. Desse total, 118 denúncias foram formalizadas aos órgãos competentes. Os dados evidenciam uma problemática crescente que, na maioria das vezes, se desenvolve em silêncio, dentro do próprio ambiente familiar.
No mesmo período analisado em 2025, entre janeiro e junho, haviam sido contabilizados 1.059 casos, o que evidencia um aumento significativo das ocorrências registradas no município.
Os dados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre o tema, fortalecer a rede de proteção e incentivar familiares, vizinhos e a própria comunidade a denunciarem situações suspeitas.
Violência vai muito além das agressões físicas
Quando se fala em violência contra idosos, a agressão física costuma ser a primeira imagem que vem à mente. No entanto, os especialistas alertam que os maus-tratos assumem diversas formas, muitas vezes difíceis de identificar.
De acordo com o Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), os tipos de violações mais frequentes são:
violência física;
violência psicológica;
negligência nos cuidados básicos;
abandono;
violência patrimonial e financeira;
restrição da autonomia e da liberdade individual.
Os dados apontam ainda que a maioria das vítimas são mulheres com idade entre 70 e 74 anos.
Outro fator que chama atenção é o perfil dos suspeitos. Em grande parte dos casos, os autores das agressões são pessoas próximas à vítima, especialmente familiares.
Especialista alerta para os sinais silenciosos
A coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Luana Ersinzon, destaca que a violência contra a pessoa idosa nem sempre deixa marcas visíveis.
Segundo ela, atitudes aparentemente comuns podem esconder situações graves de abuso e violação de direitos.
“A violência se manifesta de forma silenciosa, por meio da negligência, do controle financeiro ou da restrição da autonomia. Familiares, vizinhos e profissionais precisam estar atentos”, afirma.
A especialista ressalta que mudanças repentinas de comportamento, isolamento social, sinais de medo, falta de higiene, desnutrição e dificuldades no acesso aos próprios recursos financeiros podem indicar que o idoso está sendo vítima de algum tipo de violência.
Denunciar é um ato de proteção
Especialistas reforçam que o enfrentamento da violência contra idosos depende da participação de toda a sociedade.
Diante de suspeitas ou da confirmação de maus-tratos, a orientação é procurar os órgãos responsáveis e formalizar a denúncia.
Entre os canais disponíveis estão:
Disque 100, serviço nacional gratuito e sigiloso de proteção aos direitos humanos;
Delegacias de Polícia;
Ministério Público;
Conselhos Municipais dos Direitos da Pessoa Idosa;
Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e demais serviços da rede de proteção.
A denúncia pode representar a diferença entre a continuidade do sofrimento e a garantia de uma vida digna, segura e livre de violência.
Junho Violeta reforça compromisso com o envelhecimento digno
Mais do que uma campanha de conscientização, o Junho Violeta é um convite à reflexão sobre o papel da sociedade na proteção daqueles que ajudaram a construir famílias, comunidades e cidades.
Em um país que envelhece rapidamente, assegurar o respeito, a autonomia e os direitos da população idosa torna-se um compromisso coletivo.
Os números registrados em Divinópolis e em todo o Brasil demonstram que o combate à violência contra idosos exige vigilância permanente, informação e, sobretudo, coragem para romper o silêncio.
Porque envelhecer com dignidade não deve ser um privilégio, mas um direito garantido a todos.







