Golpe da falsa adolescente: mulher de 37 anos é presa após enganar família em Santa Catarina

Mulher de 37 anos teria usado identidade falsa e comportamento infantilizado para se passar por adolescente e enganar famílias em diferentes estados do país.

Publicado por: Cristiane Ferreira

Um caso que chamou a atenção das autoridades e gerou grande repercussão em Santa Catarina ganhou novos desdobramentos após a prisão de uma mulher de 37 anos que se apresentava como uma adolescente de apenas 12 anos. Segundo a Polícia Civil, a suspeita utilizava uma série de estratégias para sustentar a falsa identidade, incluindo o uso de mamadeiras, chupetas, objetos infantis e relatos emocionantes sobre um suposto passado marcado por abusos e exploração. 

A prisão ocorreu ontem dia (2) em Joinville, no distrito de Pirabeiraba, onde a mulher vivia há cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar acolhendo uma menor de idade em situação de vulnerabilidade.  O caso foi tornado público pela polícia e pela imprensa hoje (3).

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Comportamentos infantilizados ajudavam a manter a farsa

De acordo com as investigações, a mulher se apresentava sob o nome falso de “Gabriele” e afirmava ser portadora do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e de outros problemas de saúde. Para justificar sua aparência física adulta, ela contava que havia sido vítima de prostituição infantil e que teria sido obrigada a tomar hormônios durante a infância.

Segundo a polícia, essas histórias sensibilizaram a família adotiva, que acreditou na versão apresentada pela suspeita durante meses.

Além dos relatos, a investigada adotava comportamentos considerados infantis para reforçar a falsa identidade. Entre eles estavam o uso frequente de mamadeiras, chupetas e até mesmo um “cheirinho para dormir”. Ela também alegava ter medo de dormir sozinha e frequentemente solicitava a companhia da mãe adotiva durante a noite.

O delegado responsável pelo caso, Rodrigo Bueno Gusso, explicou que a mulher utilizava supostos traumas e crises emocionais para convencer as pessoas de que realmente era uma criança.

Família tentou formalizar adoção

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Segundo relatos dos familiares à Polícia Civil, o acolhimento ocorreu de forma genuína. A família chegou a iniciar procedimentos para tentar regularizar a situação e formalizar uma adoção dentro dos parâmetros legais.

No entanto, sempre que o assunto era abordado, a suspeita apresentava justificativas para evitar o avanço do processo.

De acordo com os depoimentos, ela alegava que não poderia frequentar uma escola nem ser adotada oficialmente porque temia ser encontrada pelo pai biológico, a quem atribuía episódios de maus-tratos e violência.

As investigações, porém, não encontraram comprovação para essas alegações.

Pedido de dinheiro também chamou atenção

Outro elemento identificado pelos investigadores foi a tentativa da suspeita de obter vantagens financeiras.

Conforme apurado pela Polícia Civil, em determinado momento ela chegou a solicitar uma transferência via Pix para terceiros, utilizando a confiança conquistada junto à família adotiva.

Esse comportamento passou a levantar suspeitas e contribuiu para o aprofundamento das investigações.

Golpe já teria sido aplicado em outros estados

Durante as diligências, os policiais descobriram que a mulher possui antecedentes relacionados a golpes semelhantes em diferentes regiões do país.

Segundo a Polícia Civil de Santa Catarina, há registros de ocorrências envolvendo a suspeita nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Rio Grande do Sul.

A corporação informou que o modo de atuação apresentava características parecidas, sempre envolvendo falsas identidades e histórias elaboradas para conquistar a confiança das vítimas.

Suspeita confessou os crimes

Durante o interrogatório, a mulher confessou integralmente os delitos investigados.

Ela foi presa em flagrante pelos crimes de estelionato e uso de identidade falsa e encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça.

A Polícia Civil continua apurando o caso para verificar se existem outras vítimas e identificar possíveis prejuízos causados pela investigada ao longo dos últimos anos.

O caso segue em investigação.

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