Divinópolis enfrenta um cenário que exige atenção redobrada da população. Enquanto a dengue continua provocando hospitalizações e mortes no município, as doenças respiratórias típicas do período mais frio do ano começam a pressionar os serviços de saúde em diversas regiões de Minas Gerais.
O boletim mais recente divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) mostra que a cidade já acumula 3.582 notificações de dengue, das quais 1.368 tiveram confirmação da doença. Além disso, a dengue provocou 236 hospitalizações, deixou um óbito em investigação e já resultou em três mortes confirmadas em 2026.
Os números demonstram que, embora o período mais crítico da epidemia tenha passado, o vírus continua circulando e exige cuidados permanentes da população.
Além disso, especialistas acompanham com preocupação o crescimento dos casos de gripe causados pelos vírus Influenza A e Influenza B, situação que costuma se intensificar durante os meses de outono e inverno.
Centro lidera número de notificações
Os dados divulgados pela Semusa mostram que a dengue atingiu praticamente todas as regiões da cidade. Entretanto, alguns bairros concentram números mais elevados e seguem em alerta.
Confira os bairros com maior número de notificações:
- Centro: 225 casos
- São José: 177 casos
- Catalão: 128 casos
- Planalto: 125 casos
- Belvedere: 111 casos
- São Roque: 110 casos
- Tietê: 108 casos
- Campina Verde: 91 casos
- Afonso Pena: 81 casos
- Niterói: 79 casos
- Santa Lúcia: 71 casos
- Bom Pastor: 66 casos
O Centro aparece como a região com maior volume de registros. Logo em seguida, o São José ocupa a segunda posição. Os números mostram que a doença não se concentra apenas em bairros periféricos e reforçam a necessidade de prevenção em todas as regiões do município.
Adultos jovens concentram maior parte dos casos
O levantamento também revela um dado importante: a dengue atingiu principalmente a população economicamente ativa.
As faixas etárias com maior número de notificações foram:
- 20 a 29 anos: 678 casos
- 30 a 39 anos: 640 casos
- 40 a 49 anos: 567 casos
- 60 anos ou mais: 501 casos
- 50 a 59 anos: 411 casos
Além disso, crianças e adolescentes também aparecem entre os grupos afetados, demonstrando que o mosquito transmissor continua encontrando condições favoráveis para sua proliferação.
Mulheres registram mais notificações
Segundo o boletim epidemiológico, as mulheres representam a maior parte das notificações registradas em Divinópolis.
Os dados mostram:
- Feminino: 1.972 notificações (55,05%)
- Masculino: 1.610 notificações (44,95%)
Embora diversos fatores possam influenciar essa diferença, os números evidenciam que a doença atingiu toda a população de forma ampla.
Casos graves continuam preocupando
Embora a maioria dos pacientes tenha apresentado sintomas clássicos da dengue, a cidade também registrou casos mais graves.
A classificação epidemiológica aponta:
- 1.337 casos de dengue clássica;
- 29 casos com sinais de alarme;
- 2 casos de dengue grave;
- 864 casos ainda em investigação;
- 1.344 casos descartados.
Além disso, as 236 internações demonstram que a doença continua gerando impacto significativo sobre a rede de saúde.
Chikungunya e Zika apresentam cenário mais tranquilo
Enquanto a dengue domina as estatísticas em Divinópolis, a situação da chikungunya permanece mais controlada.
O município registrou:
- 25 notificações;
- 3 confirmações;
- 5 hospitalizações;
- Nenhum óbito.
Já o Zika Vírus não apresentou notificações, confirmações ou mortes até o momento.
Influenza entra no radar da saúde
Paralelamente ao combate à dengue, profissionais da saúde acompanham outro desafio que cresce nesta época do ano.
A chegada das temperaturas mais baixas favorece a circulação dos vírus respiratórios, especialmente os responsáveis pela gripe.
Por isso, hospitais e unidades de saúde de diversas regiões do país registram aumento da procura por atendimento relacionado às síndromes respiratórias.
Entenda a diferença entre Influenza A, B e C
Muitas pessoas conhecem apenas o H1N1. Entretanto, os vírus influenza apresentam diferentes classificações.
Influenza A
A Influenza A representa o tipo mais preocupante.
Ela inclui variantes como:
- H1N1
- H3N2
Além disso, possui alta capacidade de mutação. Por esse motivo, especialistas associam esse grupo aos maiores surtos e epidemias já registrados no mundo.
Influenza B
A Influenza B também merece atenção.
Embora apresente menor capacidade de mutação, ela pode provocar quadros graves, principalmente em idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas imunossuprimidas.
Em diversas regiões brasileiras, a Influenza B aparece entre os vírus respiratórios mais detectados neste período.
Influenza C
Já a Influenza C costuma provocar sintomas mais leves.
Na maioria das vezes, o paciente apresenta um quadro semelhante ao resfriado comum, sem evolução para formas graves.
Sintomas podem gerar confusão
Outro fator que preocupa os profissionais da saúde envolve a semelhança entre alguns sintomas das doenças.
A dengue normalmente provoca:
- Febre alta;
- Dor atrás dos olhos;
- Dores musculares intensas;
- Dor nas articulações;
- Náuseas;
- Manchas vermelhas na pele.
Já a gripe costuma causar:
- Febre;
- Tosse;
- Coriza;
- Dor de garganta;
- Dor de cabeça;
- Cansaço intenso.
Por isso, médicos orientam a população a procurar avaliação profissional sempre que os sintomas surgirem, principalmente quando a febre persistir ou quando houver sinais de agravamento.
Combate ao mosquito continua fundamental
Apesar da chegada do inverno, especialistas alertam que o combate ao mosquito Aedes aegypti não pode parar.
A eliminação de recipientes com água parada continua sendo a medida mais eficaz para interromper a transmissão da dengue.
Além disso, a vacinação contra a gripe permanece como uma das principais formas de prevenção contra as complicações causadas pelos vírus Influenza A e B.
Saúde pede atenção da população
Os números mostram que Divinópolis ainda convive com os reflexos da dengue ao mesmo tempo em que acompanha o crescimento das doenças respiratórias típicas desta época do ano.
Diante desse cenário, autoridades reforçam a importância da prevenção, da vacinação, da busca por atendimento médico diante dos primeiros sintomas e da colaboração da população no combate aos focos do mosquito.
Afinal, enquanto a dengue já deixou vítimas fatais na cidade em 2026, a circulação da gripe também avança e exige cuidados para evitar novas internações e complicações nos próximos meses.






