A reunião semanal da ACASP, Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública, realizada na manhã desta quarta-feira, na sede da ACID, em Divinópolis, reuniu autoridades, representantes de entidades e lideranças políticas para discutir temas que passam pela segurança pública, mobilidade urbana, vulnerabilidade social, sistema prisional, acolhimento feminino e lazer comunitário.
Presidido por Breno Clementino, o encontro mostrou a amplitude dos desafios urbanos enfrentados por Divinópolis. A pauta não ficou restrita à segurança tradicional. Pelo contrário, avançou sobre tecnologia, assistência social, prevenção, mobilização comunitária e integração entre poder público, forças de segurança e sociedade civil.
A reunião reforçou o papel da ACASP como espaço de articulação entre instituições. Além disso, evidenciou que segurança pública não se resolve apenas com policiamento. Ela também depende de informação, acolhimento, organização urbana, tecnologia, prevenção social e participação comunitária.
Divinópolis avança no monitoramento por câmeras e integração com Waze
Um dos pontos de destaque da reunião foi a apresentação do agente Pelegrino, da Settrans, sobre o novo sistema de monitoramento por câmeras que começou a ser ampliado em Divinópolis. A proposta busca modernizar o acompanhamento de pontos estratégicos da cidade, integrar imagens e melhorar a resposta em situações de trânsito, obras, interdições e ocorrências urbanas.
Segundo Pelegrino, Divinópolis também assume posição de pioneirismo na integração de informações com o aplicativo Waze. A ferramenta poderá receber dados em tempo real sobre sinistros, desvios e bloqueios, permitindo que motoristas encontrem rotas alternativas com mais rapidez.
“Além disso, Divinópolis é pioneira na questão de integração ao Waze. Agora, com esse monitoramento, a gente vai poder jogar informações instantaneamente para o aplicativo do Waze, aquele aplicativo de GPS que muita gente conhece, para poder desviar o pessoal onde tiver sinistro de trânsito, onde houver obra, onde houver qualquer tipo de interdição, deslocando essa pessoa para a melhor rota alternativa possível, diminuindo o tempo de trânsito e garantindo maior mobilidade no trânsito, maior fluidez.”
A fala sinaliza uma mudança importante na gestão da mobilidade urbana. Com a integração, a cidade passa a usar tecnologia não apenas para vigiar pontos críticos, mas também para orientar o deslocamento da população e reduzir impactos no trânsito.
Moradores em situação de rua entram no centro do debate
O vereador Matheus Dias levou à reunião a discussão sobre moradores em situação de rua em áreas específicas de Divinópolis. O tema tem preocupado comerciantes, moradores e autoridades, especialmente em regiões de maior circulação de pessoas.
O parlamentar informou que participou de reunião com a prefeita Janete Aparecida e várias secretarias para tratar do assunto. Segundo ele, o município pretende desenvolver campanhas para explicar à população quais serviços públicos já existem e, ao mesmo tempo, orientar sobre formas de ajuda que podem perpetuar a permanência nas ruas.
“Ontem nós tivemos a reunião com a prefeita Janete, com várias secretarias, de tratar sobre pessoas em situação de rua. Foram discutidas várias ações, a situação do município de Divinópolis, apresentado alguns números e o que foi definido nesta reunião é que faremos uma campanha. Primeiro, mostrando para a população de Divinópolis os serviços que o município oferece.”
Matheus Dias também destacou que outra campanha deverá abordar o comportamento da população diante de pedidos de ajuda direta, como doações de comida, colchões ou dinheiro.
“Será feita uma outra campanha também que vai conscientizar as pessoas que, talvez, dando comida, dando um colchão, alguma coisa, você está favorecendo esta pessoa permanecer em situação de rua, permanecer na rua.”
O vereador ainda apontou a necessidade de parceria com a Polícia Militar. A preocupação, segundo ele, envolve situações de abstinência ou criminosos que usam a condição de rua para praticar delitos.
“Será também feito, em parceria com a polícia militar, vamos ainda nos reunir para poder garantir a segurança da população, porque quando as pessoas pararem de dar dinheiro, de dar as coisas, pode ser que algumas pessoas na abstinência ou algum criminoso que usa situação de rua possa querer cometer crimes, agredir e por aí em diante. Então, será feita também esta parceria com a polícia militar.”
A fala mostra que o tema exige equilíbrio. De um lado, há necessidade de acolhimento e assistência. De outro, o poder público também busca responder a queixas de insegurança, ocupação desordenada de espaços e conflitos urbanos.
Diretor do sistema prisional nega rebelião no Floramar
Outro assunto que chamou atenção envolveu o sistema prisional. Veloso, diretor da unidade prisional do Floramar, comentou os acontecimentos registrados no fim de semana e negou que tenha ocorrido rebelião.
Segundo ele, houve uma intercorrência durante o período de visitação, envolvendo alguns presos e familiares. A situação levou à suspensão antecipada da visita, que normalmente seguiria até 16h.
“Não teve registro de rebelião, o que nós tivemos foi uma intercorrência envolvendo alguns presos e alguns familiares durante o período da visitação, onde foi necessário a suspensão da visitação naquele momento.”
Veloso explicou que a visitação precisou terminar por volta das 15h e que familiares se movimentaram em frente à unidade. A Polícia Militar prestou apoio durante o episódio.
“A visita vai até as 16 horas, por volta das 15 horas nós tivemos que encerrar essa visitação. Realmente teve um movimento dos familiares na porta da unidade, nós contamos com o apoio da polícia militar.”
O diretor também tratou da morte de um preso registrada na unidade. Conforme relatou, o interno passou mal, o SAMU foi acionado e compareceu ao local. A causa da morte ainda depende do laudo.
“Em relação à questão do óbito do preso, realmente em meia hora, o tempo passou mal, foi acionado o serviço de SAMU, compareceram na unidade, fizeram todos os movimentos de investigação, mas infelizmente em meia hora. Nós estamos aguardando o laudo da necropsia, para a gente poder identificar as causas da morte.”
A manifestação buscou reduzir ruídos sobre o episódio no sistema prisional. Ao mesmo tempo, confirmou a gravidade dos acontecimentos e a necessidade de apuração técnica sobre o óbito.
Casa Pérola pede apoio para acolher mulheres em vulnerabilidade
A reunião também abriu espaço para a presidente Lidiane, da Casa Pérola, que apresentou o trabalho da comunidade terapêutica voltada ao acolhimento de mulheres usuárias de álcool e drogas.
A entidade atua em Divinópolis com dependentes químicas e pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo Lidiane, a casa precisa de apoio da população para manter as atividades.
“A comunidade terapêutica Pérola é a única casa que recebe mulheres usuárias de álcool e drogas na cidade de Divinópolis, toda regularizada, trabalhamos com dependentes químicos, pessoas em situação de rua, então a gente precisa muito da ajuda da população para estar dando continuidade nesse trabalho.”
Ela também citou necessidades imediatas, especialmente por causa do período de frio. A casa precisa de alimentos, cobertores, roupas e materiais de limpeza.
“A comunidade necessita de alimentos, de cobertor, agora está muito frio, entrou a época do frio, precisamos de roupas, de materiais de limpeza, então toda ajuda é bem-vinda.”
Lidiane ainda deixou um chamado para famílias que tenham mulheres acima de 18 anos precisando de apoio.
“E se você que tem alguém que precisa de ajuda, que é mulher, acima de 18 anos, pode procurar a gente que a gente vai dar essa atenção para vocês.”
A fala reforçou o papel das instituições sociais na rede de proteção de Divinópolis. Em um cenário de vulnerabilidade crescente, entidades como a Casa Pérola ajudam a preencher lacunas entre saúde, assistência social e acolhimento humano.
Rua Pitangui voltará a receber lazer aos domingos
O vereador Anderson da Academia apresentou uma pauta voltada à convivência familiar, esporte e lazer. Segundo ele, a rua Pitangui voltará a fechar aos domingos para atividades comunitárias.
A iniciativa busca devolver o espaço público às famílias, com mais segurança e opções de lazer. A reinauguração foi anunciada para o dia 7, com programação voltada às crianças.
“Com muita felicidade, dar duas notícias muito boas para vocês. A primeira é que a partir de agora, do dia 7, a nossa Pitangui será fechada todos os domingos novamente.”
O vereador atribuiu a retomada da ação a uma articulação com a prefeita Janete Aparecida. Segundo ele, a proposta pretende criar um espaço mais seguro para a população.
“Agora, lembrando que uma articulação desse vereador com a prefeita, tem que ter um espaço com maior segurança agora em Divinópolis.”
Anderson também convidou as famílias para a programação de reinauguração.
“E agora dia 7 vamos fazer a reinauguração. Então leve seu filho que vai ter dança, brincadeiras e outros mais.”
Além disso, o vereador divulgou o convite do Guarani para o jogo deste sábado. A entrada poderá ocorrer mediante doação de 1 quilo de alimento não perecível.
“E outra coisa, o Guarani está convidando a vocês agora para a parte de baixo, você que gosta de jogos, levar um quilo de alimento não perecível em troca do seu ingresso.”
A pauta de lazer mostrou que segurança pública também passa por ocupação saudável dos espaços urbanos. Ruas com famílias, crianças, esporte e convivência ajudam a fortalecer vínculos comunitários e reduzir sensação de abandono.
ACASP reforça papel de articulação em Divinópolis
A reunião desta quarta-feira mostrou que a ACASP segue como um fórum relevante de escuta, cobrança e articulação em Divinópolis. Sob a presidência de Breno Clementino, o encontro reuniu pautas que atravessam diferentes setores da cidade.
O debate sobre câmeras e integração com Waze aponta para modernização tecnológica. A discussão sobre pessoas em situação de rua revela preocupação social e urbana. A fala sobre o sistema prisional mostra a necessidade de transparência e segurança institucional. Já as demandas da Casa Pérola e a retomada da rua de lazer reforçam a importância da rede comunitária.
Ao reunir esses temas em uma mesma mesa, a ACASP mostra que segurança pública exige mais do que respostas isoladas. Ela depende de planejamento, prevenção, acolhimento, tecnologia, fiscalização, participação popular e ação conjunta entre instituições.






