SUS vai oferecer vacina mais potente contra doença pneumocócica a partir de junho

Nova vacina do SUS amplia proteção contra meningite, pneumonia e infecções graves causadas pelo pneumococo

Publicado por: Cristiane Ferreira

O Sistema Único de Saúde (SUS) dará um importante passo no fortalecimento da imunização no Brasil. A partir de junho, a rede pública começará a oferecer a vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), considerada mais moderna e abrangente que a atual versão utilizada no calendário infantil. A mudança deve ampliar significativamente a proteção proteção de crianças, idosos e grupos vulneráveis, contra doenças graves causadas pela bactéria pneumococo, responsável por meningite, pneumonia bacteriana, sinusite, otite e sepse. 

O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde, que divulgou um guia técnico preliminar orientando estados e municípios sobre a transição da vacina pneumocócica 10-valente (VPC10) para a nova fórmula. Assim que os imunizantes forem distribuídos, as aplicações poderão começar em todo o país.

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O que muda com a nova vacina Pneumo 20?

A principal novidade é que a VPC20 protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, enquanto a vacina anterior combatia apenas 10 variantes.

Na prática, isso significa uma cobertura muito mais ampla contra as formas graves da doença pneumocócica, especialmente entre crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças crônicas ou imunidade reduzida.

Segundo especialistas, a atualização da vacina ocorre após mudanças no comportamento epidemiológico da bactéria ao longo dos anos.

Casos voltaram a crescer nos últimos anos

Desde a inclusão da vacina pneumocócica no calendário infantil, em 2010, o Brasil registrou avanços expressivos na redução de casos graves.

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Dados do Ministério da Saúde apontam:

redução de 60% dos casos da doença causados pelos sorotipos cobertos pela vacina em crianças de até 2 anos;

queda de 65% nos casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária.

Apesar disso, os números voltaram a subir recentemente.

Entre 2013 e 2019, o país registrava média anual de 164 casos de meningite pneumocócica em crianças menores de 5 anos. Já entre 2022 e 2024, essa média aumentou para 211,3 casos por ano.

Especialistas explicam que o crescimento está ligado ao chamado fenômeno de “substituição epidemiológica”, quando sorotipos não cobertos pela vacina passam a circular com maior intensidade.

Especialista explica avanço da bactéria

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, afirma que a vacina anterior teve papel fundamental no controle da doença, mas abriu espaço para outras variantes da bactéria se tornarem mais frequentes.

Segundo ela, quase 40% dos casos graves registrados entre 2018 e 2023 foram causados justamente por sorotipos que não estavam incluídos na VPC10, mas agora passam a ser combatidos pela VPC20.

A especialista destaca ainda que, em crianças menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite pneumocócica são provocados por sorotipos adicionais presentes na nova vacina.

Quem deve tomar a vacina?

O calendário básico do SUS prevê:

duas doses da vacina aos 2 e 4 meses de idade;

uma dose de reforço aos 12 meses.

Crianças menores de 5 anos que estejam com a vacinação atrasada devem atualizar a caderneta o quanto antes.

Durante a fase de transição:

crianças que iniciarem o esquema vacinal receberão doses combinadas entre VPC10 e VPC20;

quem já tomou a primeira dose da vacina antiga passará a receber a nova versão nas etapas seguintes;

crianças menores de 5 anos que receberam apenas as duas doses iniciais da VPC10 também receberão reforço com a VPC20.

Grupos de risco terão proteção ampliada

O Programa Nacional de Imunizações também utiliza vacinas pneumocócicas especiais para pessoas mais vulneráveis. Com a mudança, esses imunizantes também serão substituídos gradualmente pela VPC20.

Entre os grupos prioritários estão:

pessoas vivendo com HIV/Aids;

pacientes com câncer;

transplantados;

imunodeficientes;

pessoas com doenças cardíacas, pulmonares, renais e hepáticas crônicas;

diabéticos;

asmáticos graves;

pessoas com síndrome de Down;

prematuros.

Vacina ajuda a reduzir transmissão

Além de prevenir doenças graves, a vacina pneumocócica conjugada também reduz a circulação da bactéria na nasofaringe, diminuindo a transmissão entre pessoas.

Isso contribui para a chamada proteção coletiva, beneficiando inclusive quem não foi vacinado.

Contraindicações

A vacina é contraindicada apenas para pessoas que apresentem:

alergia grave a componentes da fórmula;

reação alérgica severa em doses anteriores.

O Ministério da Saúde também recomenda adiar a vacinação em casos de febre até a recuperação completa.

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