As cidades de Pará de Minas, Nova Serrana e Itaúna aparecem no topo do ranking das maiores taxas de homicídio do Centro-Oeste de Minas Gerais, segundo dados do Atlas da Violência 2026, divulgado ontem (26). O estudo é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e traz um retrato detalhado da violência letal no país.
De acordo com o levantamento, apesar de Divinópolis registrar o maior número absoluto de homicídios da região ao lado de Pará de Minas, proporcionalmente à população, o município divinopolitano apresenta uma taxa significativamente menor.
Os dados consideram os homicídios registrados ao longo de 2024 e também incluem estimativas de chamados “homicídios ocultos”, identificados através de análise com inteligência artificial para compensar falhas em registros classificados inicialmente como Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI).
Pará de Minas lidera taxa de homicídios
Segundo o estudo, Pará de Minas ocupa a primeira posição entre os municípios analisados no Centro-Oeste mineiro, com taxa estimada de 19,6 homicídios a cada 100 mil habitantes.
O município registrou 20 homicídios em 2024, mesmo tendo uma população muito menor que Divinópolis. O dado chama atenção porque a violência letal proporcional em Pará de Minas é cerca de 2,5 vezes maior do que a registrada em Divinópolis.
Nova Serrana e Itaúna também aparecem no topo
Nova Serrana aparece logo em seguida no ranking regional. Conforme o Atlas da Violência, o município registrou 17 homicídios oficialmente, além de dois casos classificados como homicídios ocultos, chegando ao total estimado de 19 mortes violentas.
A cidade apresentou taxa estimada de 16,8 homicídios por 100 mil habitantes.
Já Itaúna registrou 14 homicídios em 2024, com taxa de 13,7 homicídios por 100 mil habitantes, ficando na terceira colocação regional entre as cidades mais violentas proporcionalmente.
Divinópolis tem maior número absoluto, mas menor taxa proporcional
Mesmo sendo a maior cidade da região e registrando 20 homicídios estimados sendo um deles classificado como homicídio oculto Divinópolis apresentou taxa proporcional inferior às demais cidades analisadas.
Segundo o levantamento, a taxa estimada do município ficou em 8,3 homicídios a cada 100 mil habitantes, número abaixo dos índices registrados em Pará de Minas, Nova Serrana e Itaúna.
Veja os números divulgados pelo Atlas da Violência 2026
Pará de Minas
20 homicídios registrados
Taxa estimada: 19,6 homicídios por 100 mil habitantes
Nova Serrana
17 homicídios registrados + 2 homicídios ocultos
Taxa estimada: 16,8 homicídios por 100 mil habitantes
Itaúna
14 homicídios registrados
Taxa estimada: 13,7 homicídios por 100 mil habitantes
Divinópolis
19 homicídios registrados + 1 homicídio oculto
Taxa estimada: 8,3 homicídios por 100 mil habitantes
Estudo utiliza dados nacionais de saúde e segurança
O Atlas da Violência utiliza informações do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), ambos vinculados ao Ministério da Saúde.
O levantamento considera mortes decorrentes de agressões, intervenções legais e outras ocorrências violentas. Além disso, o estudo aponta preocupação com o crescimento das Mortes Violentas por Causa Indeterminada, situação que pode dificultar a contabilização precisa dos homicídios no país.
Para minimizar possíveis distorções, os pesquisadores utilizaram ferramentas de inteligência artificial para estimar os chamados homicídios ocultos, que são mortes possivelmente relacionadas à violência intencional, mas inicialmente classificadas sem conclusão definitiva.
Especialistas alertam para impacto da violência proporcional
Os números reforçam o alerta sobre o avanço da violência letal em municípios de médio porte do interior mineiro. Mesmo sem registrar os maiores números absolutos, cidades como Pará de Minas e Nova Serrana apresentam índices proporcionais considerados elevados em relação à população.
O Atlas da Violência é um dos principais estudos nacionais sobre segurança pública e serve como base para análises, formulação de políticas públicas e estratégias de combate à criminalidade em todo o Brasil.






