As ruas do centro da cidade ganharam cores, faixas e um coro uníssono em defesa dos direitos humanos nesta sexta-feira (22). Usuários, familiares, profissionais da saúde e ativistas reuniram-se para realizar a tradicional Caminhada Antimanicomial de Divinópolis. O ato público reforça a importância do cuidado em liberdade, da inclusão social e da cidadania plena para as pessoas que enfrentam sofrimento mental, marcando o posicionamento do município na luta nacional contra o isolamento e o preconceito.
Com efeito, a mobilização deste ano ocorre em um momento crucial de debates sobre a expansão e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) na região Centro-Oeste. Durante o trajeto, os manifestantes destacaram a eficácia dos serviços substitutivos, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e os Serviços de Residência Terapêutica (SRT), que substituem o antigo e ultrapassado modelo de internações hospitalares prolongadas.
Saúde Não Se Vende, Loucura Não Se Prende
A essência do movimento antimanicomial gira em torno da garantia de que o tratamento de saúde mental deve ocorrer de forma humanizada, inserido na comunidade e respeitando a individualidade de cada cidadão. Portanto, os participantes utilizaram cartazes e intervenções artísticas para chamar a atenção de quem passava pelo comércio local, pautando o fim de práticas asilares e excludentes.
Para os organizadores do ato, a caminhada serve como um lembrete para que o poder público mantenha investimentos constantes na saúde pública municipal.
“Tratar em liberdade é garantir que o indivíduo continue sendo parte da sociedade, com direito ao trabalho, à cultura e à convivência familiar. O manicômio isola e silencia; a reforma psiquiátrica acolhe e liberta”, defendeu uma das lideranças do movimento durante o manifesto.
Inclusão, Afeto e Cidadania no Dia a Dia
Além disso, os manifestantes lembraram que a luta antimanicomial não se restringe apenas às estruturas médicas, mas passa diretamente pelo combate diário ao estigma social. A inclusão no mercado de trabalho e o acesso a projetos culturais foram apontados como ferramentas indispensáveis para que os usuários conquistem autonomia e dignidade de forma definitiva.
Dessa forma, a mobilização de hoje cumpre o papel de aproximar a comunidade de Divinópolis de uma discussão que diz respeito a todos. Afinal, cuidar da saúde mental coletiva exige um ambiente urbano acolhedor e livre de discriminações. O Divinews acompanha as pautas do setor de saúde na cidade e publicará, no decorrer do fim de semana, depoimentos de usuários que tiveram suas trajetórias transformadas pelo acolhimento humanizado da rede municipal.





