Pai de Daniel Vorcaro é preso em nova fase da Operação Compliance Zero em MG

Pai de Daniel Vorcaro é preso em Nova Lima durante operação da PF

Publicado por: Cristiane Ferreira

A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, ganhou repercussão nacional após revelar um suposto esquema criminoso envolvendo espionagem, intimidações, vazamento de informações sigilosas, lavagem de dinheiro e atuação de grupos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
As investigações tiveram início ainda em 2024 e apontam a existência de uma estrutura organizada que, segundo a PF, utilizava policiais, operadores clandestinos e até integrantes ligados ao jogo do bicho para monitorar, pressionar e intimidar desafetos do grupo.

Ao longo das fases da operação, a Polícia Federal cumpriu dezenas de mandados de busca e apreensão em diversos estados brasileiros, além de determinar bloqueios bilionários de bens e afastamento de servidores públicos investigados.

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Segundo a PF, um dos núcleos da organização era conhecido como “A Turma”, apontado como responsável por ações de monitoramento, coleta ilegal de informações e intimidações presenciais. O grupo teria ligação com policiais da ativa, aposentados e operadores que atuavam principalmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.

A investigação também identificou um braço operacional no Rio de Janeiro, supostamente liderado por um empresário ligado ao jogo do bicho. Segundo os investigadores, esse núcleo seria utilizado para executar ações de pressão física, ameaças e monitoramento de pessoas consideradas adversárias de Daniel Vorcaro.

Prisão de Henrique Vorcaro

Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro e ex-presidente da empresa Multipar, foi preso durante a nova fase da operação deflagrada pela Polícia Federal.

Segundo as investigações, a Multipar teria movimentado mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025, conforme dados apontados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As movimentações financeiras teriam ocorrido entre contas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Após a prisão, Henrique foi encaminhado para a sede da PF, localizada na região Centro-Sul de Belo Horizonte.

PF apura organização criminosa

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De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em:

intimidação e coerção;
obtenção de informações sigilosas;
invasões de dispositivos informáticos;
lavagem de dinheiro;
corrupção;
organização criminosa;
e violação de sigilo funcional.
As autoridades também investigam possíveis ligações entre integrantes do grupo e operadores clandestinos que atuariam em ações de monitoramento e pressão contra pessoas consideradas adversárias.

Policiais federais também são investigados

A nova fase da Operação Compliance Zero também teve como alvo servidores da própria Polícia Federal.

Entre os investigados estão:

uma delegada da PF;
um agente federal da ativa;
policiais federais aposentados.
Segundo a investigação, os servidores teriam repassado informações sigilosas ao grupo investigado. A defesa dos envolvidos nega irregularidades e afirma que os policiais não teriam acesso formal ao inquérito citado pela operação.

Defesa questiona prisão

O advogado Eugênio Pacelli, responsável pela defesa de Henrique Vorcaro, afirmou que a operação teria sido baseada em fatos cuja legalidade ainda estaria em discussão no processo.
Segundo a defesa, as informações utilizadas pela investigação ainda não teriam sido formalmente solicitadas aos advogados ou ao próprio Henrique Vorcaro.
O advogado também classificou a prisão como “grave e desnecessária”, defendendo que os esclarecimentos poderiam ser apresentados antes da adoção da medida cautelar.

Operação já bloqueou bilhões em bens

Nas fases anteriores da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal realizou operações em diversos estados brasileiros.

Além dos mandados de busca e apreensão, a Justiça determinou:

bloqueios e sequestros de bens;
afastamento de servidores públicos;
e medidas cautelares contra investigados.
Segundo a PF, os bloqueios patrimoniais podem chegar a R$ 27,7 bilhões.

Caso segue em investigação

A Polícia Federal informou que as investigações continuam em andamento e que novos desdobramentos não estão descartados.

Os investigados poderão responder por crimes como:

organização criminosa;
lavagem de dinheiro;
ameaça;
invasão de dispositivos informáticos;
corrupção;
e violação de sigilo funcional.

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