Uma megaoperação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado de Minas Gerais (FICCO/MG) mobilizou cerca de 200 policiais nesta terça-feira (12) em uma ofensiva contra uma organização criminosa suspeita de atuar no tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio em diversos estados brasileiros.
Batizada de “Rota Andina”, a operação teve desdobramentos em Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Amazonas, Maranhão e Distrito Federal. Entre os municípios mineiros alvo da ação estão Uberlândia, Ituiutaba e São João del-Rei.
Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal, o grupo investigado utilizava aeronaves e pistas clandestinas para transportar carregamentos de cocaína vindos de outros países da América do Sul até o território brasileiro.
Investigação começou após apreensão de 470 quilos de cocaína
As investigações tiveram início após uma grande apreensão realizada em abril de 2025, na cidade de Santa Rita do Araguaia, em Goiás.
Na ocasião, as forças de segurança interceptaram uma aeronave que transportava aproximadamente 470 quilos de cocaína. A partir da apreensão, os investigadores passaram a monitorar uma estrutura criminosa altamente organizada, que, segundo a PF, operava rotas aéreas clandestinas para o tráfico de drogas.
Conforme a investigação, os criminosos utilizavam aviões de pequeno porte para pousos em áreas afastadas e pistas clandestinas espalhadas pelo interior do país, especialmente em regiões estratégicas de Minas Gerais e Goiás.
As apurações apontam ainda que a organização possuía forte atuação logística e financeira, com ramificações em diferentes estados brasileiros.
Mais de R$ 90 milhões em bens foram bloqueados
Durante a operação, a Justiça autorizou o cumprimento de dezenas de medidas cautelares.
Ao todo, foram expedidos:
- 24 mandados de prisão;
- 55 mandados de busca e apreensão;
- apreensão de 114 veículos;
- bloqueio patrimonial milionário.
Segundo a Polícia Federal, o valor total dos bens sequestrados e bloqueados pode chegar a aproximadamente R$ 98 milhões. Parte desse patrimônio inclui veículos de luxo, imóveis, aeronaves e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Empresas de fachada e “laranjas” eram usados no esquema
As investigações também revelaram um sofisticado sistema de lavagem de dinheiro utilizado pelo grupo criminoso.
De acordo com a PF, os investigados utilizavam empresas de fachada e pessoas interpostas — conhecidas popularmente como “laranjas” — para esconder patrimônio e dificultar o rastreamento dos recursos obtidos com o tráfico internacional de drogas.
Entre os mecanismos identificados pelos investigadores estão:
- compra de aeronaves;
- aquisição de veículos de luxo;
- abertura de empresas fictícias;
- pulverização de valores em diferentes contas bancárias;
- movimentações financeiras fracionadas para despistar órgãos de controle.
As autoridades acreditam que o esquema movimentava milhões de reais provenientes do tráfico de cocaína.
Alvo em São João del-Rei morreu antes da operação
Segundo apuração divulgada pela TV Integração, um dos alvos ligados à operação em São João del-Rei morreu no mês passado. O nome dele não foi oficialmente divulgado pelas autoridades.
Mesmo após a morte do investigado, mandados judiciais relacionados ao núcleo criminoso continuaram sendo cumpridos na cidade mineira.
Operação integra ofensiva nacional contra facções
A “Rota Andina” faz parte da operação nacional “Força Integrada II”, coordenada pela Polícia Federal e realizada simultaneamente em 16 estados brasileiros.
A ação reúne diferentes forças de segurança pública no combate ao tráfico de drogas, comércio ilegal de armas, lavagem de dinheiro e atuação de facções criminosas.
A FICCO é composta por integrantes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e Secretaria Nacional de Políticas Penais, atuando de forma integrada no enfrentamento ao crime organizado em Minas Gerais.
As investigações continuam e novas prisões não estão descartadas.






