Operação revela celulares, drogas e dinheiro dentro de unidade da APAC em Itaúna

Publicado por: Cassia Misael

Na segunda-feira (04), a Polícia Civil divulgou novos detalhes da Operação Marco Zero, realizada na quinta-feira (30), em Itaúna. A ação, conduzida em conjunto com a Polícia Penal e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), revelou a entrada irregular de materiais ilícitos dentro da unidade da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC).

Embora o modelo APAC seja reconhecido nacionalmente pela proposta de ressocialização, o caso reacende um debate importante: até que ponto essas unidades conseguem manter o controle interno diante de tentativas de burlar o sistema?

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Apreensões expõem tentativa de burlar regras rígidas

Durante a operação, os policiais apreenderam 65 carregadores de celular, 90 fones de ouvido, oito baterias, duas balanças de precisão, caixas de som, diversos cabos USB e R$ 2.587 em dinheiro.

Além disso, uma porção de substância semelhante à coc4ín4 foi localizada dentro da unidade.

Um homem foi flagrado com o entorpecente, conduzido à delegacia e, após assinar termo de compromisso, reconduzido à APAC.

O volume e a diversidade dos itens chamaram a atenção dos investigadores, indicando uma possível tentativa estruturada de entrada de materiais proibidos.

Investigação começou com denúncia e uso de inteligência

Segundo a Polícia Civil, a operação teve início após uma denúncia anônima. A partir disso, foram realizadas apurações detalhadas, incluindo medidas de inteligência, como quebra de sigilo telemático.

Essas ações permitiram identificar indícios consistentes de irregularidades, justificando a intervenção dentro da unidade.

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Os delegados João Marcos do Amaral e Leonardo Pio destacaram, em vídeo oficial, que o trabalho integrado foi essencial para o avanço das investigações.

O que é o método APAC e por que ele é diferente

Criado como uma alternativa ao sistema prisional tradicional, o modelo APAC funciona com base na disciplina, no trabalho e na corresponsabilidade dos próprios recuperandos.

Diferente dos presídios comuns, as APACs não contam com policiais armados dentro das unidades. Os internos assumem parte da gestão cotidiana, seguindo regras rígidas de convivência, espiritualidade e trabalho.

O método tem como principal objetivo a ressocialização, buscando reduzir a reincidência criminal.

Modelo apresenta índices positivos no Brasil

Apesar do caso registrado em Itaúna, o sistema APAC é frequentemente citado como referência no Brasil.

Dados de entidades ligadas ao modelo apontam que a reincidência entre egressos de APACs pode ficar abaixo de 20%, enquanto no sistema prisional convencional esse índice pode ultrapassar 70%.

Além disso, o custo por detento também costuma ser menor, o que reforça o interesse de governos e instituições na expansão do modelo.

Casos isolados não invalidam o sistema, mas geram alerta

Especialistas apontam que ocorrências como a registrada em Itaúna não necessariamente comprometem o modelo como um todo, mas indicam a necessidade de fiscalização constante.

A entrada de celulares e dr0g4s, por exemplo, já foi registrada também em unidades prisionais tradicionais, o que evidencia um desafio sistêmico no controle desses materiais.

No entanto, justamente por se tratar de um modelo baseado na confiança e disciplina, qualquer irregularidade dentro de uma APAC tende a gerar maior repercussão.

FBAC reforça tolerância zero e colaboração

Em nota oficial, a Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) informou que colaborou integralmente com a operação.

A entidade destacou que mantém uma política de “tolerância zero” contra irregularidades e reforçou que a disciplina é um dos pilares do método.

Segundo a instituição, o compromisso com a ressocialização e a segurança da sociedade permanece inalterado.

Investigações continuam e podem revelar novos envolvidos

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer completamente os fatos.

A expectativa é que novas informações surjam a partir da análise dos materiais apreendidos e das provas coletadas durante a operação.

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