A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, na noite de quarta-feira (15), um homem de 52 anos suspeito de matar a companheira, Elen Cristina Teixeira Carvalho, de 31 anos, em Piumhi, no Centro-Oeste do estado. O que começou como um chamado de socorro feito pelo próprio suspeito terminou com uma prisão preventiva por feminicídio depois que laudos periciais contradisseram, ponto a ponto, a versão apresentada por ele.
Elen morreu no dia 9 de março, no Bairro Lagoa de Trás. Naquele momento, o companheiro acionou os serviços de emergência e relatou que ela teria sofrido uma crise convulsiva. As investigações seguintes, porém, apontaram uma causa completamente diferente. Os exames periciais constataram que Elen morreu por asfixia por constrição cervical extrínseca em outras palavras, o suspeito a estrangulou. Além disso, o corpo apresentava diversas lesões, o que evidenciou a violência brutal do crime. Diante dessas conclusões, as autoridades consideraram a versão do investigado inconsistente e avançaram nas investigações.
O homem depôs no dia 6 de abril e manteve a negativa. Ele insistiu que problemas de saúde teriam causado a morte da companheira. Contudo, à medida que as investigações avançaram, a polícia reuniu um conjunto de provas que apontava não apenas para o crime em si, mas também para um histórico de violência dentro do relacionamento.
Prisão aconteceu horas após decisão judicial
Com base nas evidências levantadas, a autoridade policial solicitou a prisão preventiva do suspeito. O Ministério Público emitiu parecer favorável, e o juiz deferiu a medida. Rapidamente, as equipes saíram em diligência para localizar o homem e, em poucas horas depois, o encontraram e o prenderam. As autoridades o encaminharam ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Quem era Elen Cristina
A morte de Elen causou comoção entre familiares e amigos. Quem a conhecia a descrevia como uma mulher doce, gentil e batalhadora. Ela deixou dois filhos: uma menina de 10 anos, com quem morava, e um adolescente de 13, que vive com o pai.
Elen conviveu com o companheiro por cerca de três anos. Os dois passaram por cidades como Belo Horizonte e Divinópolis antes de se estabelecerem em Piumhi. A tia da vítima, Sueli Teixeira, conta que Elen se dedicava à filha e buscava formas de garantir renda mesmo diante de dificuldades financeiras. Em Piumhi, ela passou a cuidar de crianças da vizinhança porque o companheiro não permitia que ela trabalhasse de forma regular.
Relatos de controle e agressão
Familiares e vizinhos relataram que o relacionamento carregava episódios frequentes de violência e controle. Os relatos descrevem um padrão que se intensificou ao longo do tempo, especialmente após a mudança para Piumhi. “Os vizinhos contaram que ele chegou do serviço e saiu arrastando ela pelos cabelos. As crianças que estavam perto ficaram desesperadas”, relatou a tia Sueli. Segundo a família, o comportamento do suspeito mudou progressivamente ao longo dos anos. As agressões, que já existiam antes, tornaram-se mais frequentes e violentas na última fase do relacionamento.
Elen Cristina Teixeira Carvalho tinha 31 anos e uma filha de 10 esperando por ela em casa. Como tantas vítimas de feminicídio, ela não era apenas um número em uma estatística: era mãe, era tia, era vizinha, era a mulher que cuidava das crianças da rua porque precisava trabalhar e não podia. A sociedade precisa encarar sua morte como um alerta e como um chamado para que vizinhos, familiares e comunidades não silenciem diante de sinais de abuso.






