Nos 45 minutos do segundo tempo da janela partidária, Gleidson Azevedo mudou completamente o rumo do jogo político em Minas Gerais. O ex-prefeito de Divinópolis, que havia sido liberado pelo Novo para apoiar o irmão, o senador Cleitinho Azevedo, pré-candidato ao governo de Minas, surpreendeu ao anunciar sua saída da legenda e filiação ao Republicanos, o mesmo partido do irmão.
A decisão caiu como uma bomba nos bastidores. Isso porque o Novo havia feito um movimento raro dentro da sua própria estrutura ao flexibilizar regras internas para manter Gleidson na legenda. A liberação para apoiar Cleitinho foi tratada como exceção, justamente para evitar a saída do ex-prefeito às vésperas do fechamento da janela partidária.
O cálculo do partido era claro. Internamente, dirigentes avaliavam que Gleidson, impulsionado pela força política do irmão, seria o principal nome da chapa de deputado federal em Minas Gerais. A expectativa era que ele ajudasse o Novo a atingir o coeficiente eleitoral necessário para eleger ao menos um parlamentar, com potencial até para ampliar esse número.
A autorização partiu diretamente da direção nacional. O presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, considerou o vínculo familiar como uma situação excepcional, abrindo mão da rigidez partidária para segurar um nome estratégico. Era, na prática, uma tentativa de preservar um ativo eleitoral considerado decisivo.
Mas o desfecho foi exatamente o oposto do esperado. No último instante permitido pela legislação eleitoral, Gleidson não apenas deixou o partido, como também migrou para o Republicanos, alinhando-se de vez ao projeto político do irmão.
A movimentação foi interpretada como uma ruptura brusca. Nos bastidores, a leitura é de que o ex-prefeito “puxou a escada do Novo deixando o partido com o pincel na parede”, e em uma posição vulnerável após ter estruturado sua estratégia contando com sua permanência. O planejamento que vinha sendo desenhado para a disputa proporcional acabou comprometido de forma significativa.
O impacto não é apenas simbólico. Sem Gleidson, o Novo perde um nome competitivo, mas por seu parentesco do líder nas pesquisas ao governo, e vê reduzidas suas chances de alcançar o coeficiente necessário para eleger representantes em Minas. A saída também gera efeito dominó, já que outros pré-candidatos podem reavaliar suas posições diante da nova configuração. Isso por que, o prazo de filiação, de fato, não foi ontem, tem mais uns dias para filiação com data retroativa.
Por outro lado, o Republicanos se fortalece. Ao reunir Gleidson e Cleitinho no mesmo partido, a legenda consolida um eixo político com forte apelo popular no estado, especialmente no interior. A estratégia, agora, passa a ser explorar esse capital eleitoral de forma conjunta.
O episódio escancara uma realidade recorrente da política: alianças, compromissos e decisões podem mudar de forma abrupta quando o cálculo eleitoral fala mais alto. E, nesse caso, o Novo não apenas perdeu um quadro importante, como viu seu planejamento ser desfeito no momento mais crítico do processo.






