Já na condição de governador de Minas Gerais, Mateus Simões concedeu entrevista coletiva e traçou o tom que pretende imprimir à nova fase do governo. Em uma fala carregada de simbolismo pessoal e político, afirmou que assumir o Estado representa uma honra, destacou o legado recebido de Romeu Zema e deixou claro que pretende manter a linha de continuidade administrativa, mas com compromissos próprios nas áreas de segurança, saúde, educação, infraestrutura e valorização do interior.
Ao abrir a coletiva, Mateus Simões relembrou sua trajetória pessoal, ao dizer que saiu da fazenda aos 14 anos, órfão de pai e mãe, e que agora chega ao comando do Palácio da Liberdade, espaço marcado por nomes históricos da política mineira. Na sequência, ressaltou a confiança recebida de Romeu Zema ao longo dos últimos 7 anos e afirmou que assume um Estado muito diferente daquele encontrado em 2019, com contas equilibradas, pagamento em dia a servidores e fornecedores, capacidade de investimento e possibilidade de reajuste inflacionário ao funcionalismo.
O novo governador também procurou transmitir a ideia de continuidade com expansão de entregas. Segundo ele, Minas tem obras já em andamento que serão concluídas neste ano, como os últimos 3 hospitais regionais e as primeiras estações da linha 2 do metrô, além de projetos de longo prazo em saneamento, drenagem e infraestrutura. Mateus citou ainda investimentos no Rio Doce, na Zona da Mata e em outras regiões do Estado, sinalizando que pretende ampliar a presença do governo fora da capital.
Na educação, o discurso trouxe metas ambiciosas. Mateus afirmou que Minas já vive o melhor momento de sua história recente no setor, mas defendeu que o Estado precisa alcançar a melhor educação do Sudeste. Também declarou que manterá como compromisso a pauta das escolas cívico-militares e o avanço de políticas que ampliem oportunidades para estudantes e famílias.
Na área econômica, o chefe do Executivo sustentou que o desafio mineiro deixou de ser apenas o emprego e passou a ser a renda. Segundo ele, Minas já tem a menor taxa de desemprego do Sudeste e a 2ª menor do Brasil, mas ainda precisa elevar o rendimento médio do trabalhador. Para isso, prometeu aprofundar programas de qualificação profissional, com foco tanto nas regiões mais pobres quanto nas mais ricas, para evitar que mineiros deixem suas cidades em busca de melhores oportunidades.
A saúde também apareceu como prioridade expressa. Mateus afirmou que, além das inaugurações previstas, assumiu compromisso pessoal com prefeitos para suprir o déficit de postos de saúde no Estado. Segundo ele, estudos indicam a necessidade de cerca de 300 novas unidades, cuja construção poderá ser viabilizada com recursos estaduais para fortalecer a atenção primária e aliviar a pressão sobre hospitais e filas de atendimento.
Mas foi na segurança pública que o governador adotou o tom mais duro. Ele disse ter orgulho das forças de segurança, lembrou a contratação de 15 mil homens desde o início da gestão Zema e destacou que 3 mil soldados da Polícia Militar estão atualmente em formação, no que chamou de maior turma da história da corporação. Na fala mais incisiva da coletiva, afirmou que, em Minas Gerais, o direito de usar a força pertence apenas à polícia e declarou que criminosos que tentarem atuar no Estado serão “caçados e expulsos”.
Mateus também indicou que continuará se posicionando de forma firme contra decisões que, em sua avaliação, prejudiquem a atuação do Executivo ou se afastem da realidade vivida pela população. Ao citar casos concretos, deixou evidente que pretende manter postura pública ativa em temas sensíveis ligados à segurança, à justiça e à proteção de famílias.
No encerramento, o governador valorizou a presença maciça de prefeitos, deputados e lideranças políticas do interior no Palácio da Liberdade. Segundo ele, mais de 800 agentes políticos do interior acompanharam o momento, reforçando a importância do projeto de levar o governo para perto das regiões mineiras. A estratégia mencionada por Mateus prevê transferências simbólicas da capital para 16 regiões do Estado, numa tentativa de aproximar o centro decisório da realidade de quem vive fora de Belo Horizonte.
A primeira coletiva de Mateus Simões, portanto, serviu como cartão de visitas do novo governo. O discurso combinou emoção pessoal, defesa do legado de Zema, promessa de continuidade administrativa e recados duros em áreas estratégicas. Mais do que uma fala protocolar, a entrevista desenhou o perfil político que o novo governador pretende exibir daqui para frente: presença no interior, cobrança por resultado e linha dura na segurança pública.






