30 pescadoras saíram de Divinópolis na madrugada desta última quinta-feira (19) rumo a Três Marias, no Rio São Francisco, com uma missão muito clara: pescar muito, rir bastante, se divertir intensamente e, de quebra, provar que pescaria não nasceu para ser monopólio dos chamados clubes dos bolinhas, ou seja, a confraria “secreta” anual de vários homens rumo ao Mato Grosso.
Bastou olhar as imagens dentro do ônibus para perceber que a viagem já começou vencendo no quesito animação. Enquanto muita pescaria masculina costuma sair envolta em cara fechada, em mistério e com aquele ar de operação secreta, a turma feminina preferiu fazer diferente. Levou sorriso, pose para foto, resenha e uma empolgação que quase dispensava até o primeiro peixe.
Segundo uma das idealizadoras, a proposta da pescaria é entretenimento puro, mas com um toque de provocação bem-humorada. A ideia surgiu justamente para quebrar o velho tabu de que pescaria seria coisa de homem. Se eles criaram, ao longo dos anos, uma espécie de confraria cercada de segredos, elas decidiram montar o próprio clube das luluzinhas, só que com mais organização, mais alegria e bem menos mistério.
E é aí que entra a brincadeira que já virou parte da viagem. Entre uma risada e outra, as participantes avisaram que os peixes pescados não terão carimbo do Inmetro nem selo da Vigilância Sanitária. Afinal, pescaria raiz não vem com certificado técnico, vem com história para contar. O que sair do anzol vai direto para a disputa informal que já movimenta o grupo: quem vai pescar mais e voltar com mais moral para casa.
No meio da gozação, também sobrou espaço para uma cutucada divertida nas tradicionais pescarias masculinas, especialmente aquelas que viram quase um assunto de Estado. Em tom de piada, o grupo comentou a fama de algumas viagens de homens, principalmente para bandas do Mato Grosso, que costumam voltar cercadas por um silêncio absoluto. Ninguém explica nada direito, ninguém mostra tudo, ninguém entra em detalhes, só uns causos isolados que lhes convém. Parece até que existe um pacto de silêncio assinado na beira do rio, desses que nem o peixe, se falasse, teria coragem de quebrar.
As mulheres, ao contrário, fizeram questão de escancarar a experiência. Posaram para fotos, exibiram a animação da estrada e deixaram claro que, se a pescaria masculina às vezes parece reunião diplomática de tema confidencial, a feminina já começou como bloco de alegria com destino ao Velho Chico.
Além da farra, o grupo também mostrou que organização não fica só no discurso. As participantes prepararam kit personalizado, com boné, camisa e copo, tudo padronizado e pensado para transformar a aventura em algo ainda mais especial.
“Nós somos organizadas, temos um kit personalizado de pescadoras, com boné, camisa, copo personalizado. Entre outras coisas. Bem diferente dos homens. Temos organização”, afirmou uma das integrantes, em tom de orgulho e diversão.
A programação ainda segue um ritual já conhecido entre os amantes da pescaria. Na volta, o grupo pretende fazer reunião com churrasco, divisão dos peixes e muita conversa fiada, ou melhor, conversa séria de quem quer saber quem foi a campeã do anzol. Tudo isso com o mesmo espírito de descontração que marcou a saída.
Mais do que fisgar peixes, as mulheres de Divinópolis resolveram fisgar uma experiência. Transformaram a pescaria em encontro, amizade, risada e liberdade. E, pelo que as imagens já mostraram, o troféu da animação elas ganharam antes mesmo de lançar a primeira linha na água.
A previsão é que o grupo, que já está no segundo ano da experiência, retorne neste próximo domingo à tarde. Até lá, fica a torcida para que o Rio São Francisco colabore. Porque, se depender da energia da comitiva, peixe nenhum vai poder reclamar de falta de entusiasmo.
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