Lava-jato de fachada? Como um detento do semiaberto comandava o tráfico

Denúncias apontaram que o suspeito utilizava um adolescente para realizar as entregas de entorpecentes; proprietário do imóvel também acabou detido.

Publicado por: Cassia Misael

A Polícia Civil e a Polícia Militar desarticularam um esquema de narcotráfico que operava sob o disfarce de um lava-jato no bairro Aparecida do Norte, em Coronel Fabriciano, nesta quarta-feira (18). A operação resultou na prisão de dois homens, de 25 e 28 anos, além da apreensão de um adolescente envolvido na logística de distribuição dos entorpecentes. O principal alvo da ação cumpria pena em regime semiaberto e utilizava o estabelecimento comercial na Rua Rondônia como base para a comercialização ilícita. No momento da abordagem tática, o suspeito tentou engolir pequenas porções de entorpecentes para destruir as evidências imediatas, mas os militares impediram a ação e iniciaram uma busca minuciosa no perímetro.

Durante a revista pessoal, os policiais localizaram com o indivíduo uma chave que não pertencia às portas principais do comércio. Ao testarem o objeto em compartimentos internos, os militares descobriram que a chave dava acesso exclusivo a um depósito estratégico escondido no imóvel, onde estava armazenada uma quantidade significativa de skunk. O detento do semiaberto assumiu a propriedade da substância, que possui alto valor de mercado devido à sua pureza. Os agentes recolheram ainda aparelhos celulares e quantias em dinheiro, evidenciando que a estrutura do lava-jato servia apenas como fachada para ocultar o fluxo atípico de usuários e o comércio de substâncias proibidas durante o horário de expediente.

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Logística criminosa e o uso de menores de idade

O proprietário do imóvel também recebeu voz de prisão sob a suspeita de conivência e participação ativa na manutenção do ponto de venda. A diligência estendeu-se até a residência de um adolescente, apontado em denúncias como o responsável pelas entregas em domicílio para o grupo. No endereço do menor, a guarnição localizou mais entorpecentes, materiais de embalagem e um rádio comunicador sintonizado na frequência das forças de segurança. Esta modalidade de associação criminosa, que utiliza jovens para mitigar os riscos de prisão dos líderes, configura um agravante severo que será anexado ao inquérito policial conduzido pela delegacia local.

Todo o material apreendido, incluindo a droga e os equipamentos de comunicação, seguiu para a Delegacia de Polícia Civil para a ratificação do flagrante. Os adultos agora respondem pelos crimes de tráfico ilícito de drogas e associação para o tráfico, com o agravante da reincidência específica por parte do detento em regime semiaberto. O portal Divinews destaca que o uso de comércios legítimos como “escudo” para o crime organizado é uma tática que exige vigilância redobrada da população e das autoridades. A retirada dessas lideranças de circulação fragiliza a distribuição de drogas sintéticas e variantes da maconha em toda a região de Coronel Fabriciano.

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