Ministro da saúde entrega “checão” de R$ 95 milhões e Nova Serrana coloca ‘Hospital Regional’ na reta final

Ministro confirmou repasse para equipar a unidade, anunciou financiamento para ressonância e cobrou foco na saúde da mulher; Prefeitura detalhou cronograma e licitações; foram feitas criticas subliminares ao ex-prefeito Euzébio Lago

Publicado por: Geraldo Passos

Nova Serrana transformou a manhã desta segunda-feira (16) em um marco político e sanitário para o Centro-Oeste mineiro. A visita do ministro da Saúde em exercício, Adriano Massuda, virou entrega de recursos, assinatura de financiamento e recado direto sobre metas.

O ponto central da agenda foi um repasse de R$ 95 milhões para equipar o Hospital e Maternidade de Alto Risco. A cidade tratou o valor como o empurrão que faltava para tirar o prédio da condição de promessa.

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A solenidade teve clima de “virada de página”. O hospital carregou, por anos, o estigma de estrutura inacabada e disputa política. Nesta etapa, Nova Serrana tenta trocar frustração por cronograma.

A diretiva do Ministério da Saúde seguiu uma linha objetiva. O governo federal quer recuperar políticas desmontadas e ancorar investimentos no SUS, com foco na rede materno-infantil. O ministro conectou o repasse a um objetivo mensurável, reduzir mortalidade materna e garantir atendimento de alta complexidade para gestantes e recém-nascidos. O discurso evitou floreio e apostou em indicador.

Na prática, o ministério trouxe mais do que o “checão” simbólico. A agenda incluiu pré-aprovação e assinatura de contrato de financiamento para ressonância magnética, no valor de R$ 8.108.707,00.

O investimento amplia o peso regional do hospital. Ressonância muda diagnóstico, encurta fila, reduz dependência de outros polos e trava gasto recorrente com serviços terceirizados.

A fala do governo federal também ampliou o raio de ação na região. A equipe anunciou, no mesmo giro, ordem de serviço para uma policlínica em Divinópolis, com R$ 30 milhões para construção e equipamentos.

A comitiva também confirmou entrega de 11 ambulâncias do Samu, com 6 para ampliar frota e 5 para renovar veículos. O gesto reforçou o pacote de “rede”, e não de obra isolada.

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Na coletiva, o ministro detalhou o pano de fundo político do investimento. O projeto original previa R$ 153 milhões, mas a gestão anterior devolveu o recurso e deixou o município sem horizonte.

Esse ponto virou munição local. A equipe de articulação do governo federal explicou que a devolução devolve o dinheiro ao Tesouro e obriga a cidade a recomeçar do zero.

Gleide Andrade colocou essa história no centro do palco. Ela descreveu a primeira ida do prefeito Fábio Avelar a Brasília para recuperar o recurso e relatou surpresa na Casa Civil. A narrativa trouxe um recorte de bastidor com impacto. Rui Costa teria se espantado com a devolução e acionou articulação para recompor o investimento, com ajustes técnicos sucessivos.

A fala também trouxe um detalhe que ajuda a explicar o salto para R$ 95 milhões. A articulação teria separado, ainda em 2024, R$ 80 milhões para equipamentos e R$ 15 milhões para concluir dois andares. Essa soma fecha o “chegamos perto de 95”. O evento desta segunda consolidou o pacote e empurrou a cidade para a fase que mais cobra competência: licitação e execução.

O presidente da Câmara, Guilherme Bueno Lemes, usou a palavra para fazer o contraponto institucional. Ele lembrou que o Legislativo ouviu, por anos, que ali existiria um hospital. A crítica foi dura, mas cirúrgica. Ele apontou que o município chegou a autorizar repasse do hospital sem passar pelo Legislativo, e a cidade ficou apenas com “um prédio”.

O recado não mirou apenas o passado, a administração de Euzébio Lago.  Ele mirou o presente, acelerar o processo e não repetir o ciclo de anúncio sem entrega. A Câmara prometeu acompanhar e destravar o que depender de votação.

No discurso do prefeito Fábio Avelar, a solenidade ganhou emoção e cálculo político. Ele tratou o dia como divisor, afirmou que não dormiu e falou em compromisso de campanha. O prefeito vinculou o repasse ao que chamou de prioridade absoluta. Saúde entrou como eixo de gestão e como marca que ele quer levar para a história de Nova Serrana.

Fábio também puxou o fio da cronologia. Ele lembrou que participou de administrações anteriores e citou gestões que iniciaram e concluíram obras importantes, para contextualizar o caminho até aqui.

Em seguida, ele abriu uma ferida local. Ele criticou a última gestão e afirmou que “hospital não se vende”, ao mencionar autorização anterior para venda, sem passar pela Câmara. O prefeito descreveu a compra do prédio como ponto de virada. Ele citou o valor de R$ 41,4 milhões e afirmou que a cidade recebeu oferta de R$ 60 milhões logo depois, mas recusou.

A fala trouxe outra camada, situação fiscal. Fábio afirmou que assumiu a Prefeitura com R$ 104 milhões em dívidas e pediu paciência para recolocar a casa no eixo.

Na coletiva, o prefeito organizou o que faltou por muitos anos, um passo a passo claro. Ele dividiu o projeto em três etapas e repetiu a lógica para evitar boato e ansiedade. Primeiro, compra do prédio. Segundo, compra dos equipamentos com licitação. Terceiro, licitação para definir quem administra o hospital, com a meta de operação 100% SUS.

O prefeito evitou data cravada, mas sustentou expectativa de funcionamento ainda em 2026. Ele reforçou que a região não possui maternidade de alto risco e que essa lacuna custa vidas.

O ministro, por sua vez, reforçou a noção de “trabalho completo”, citando infraestrutura, equipamentos, profissionais e custeio, e lembrou que Minas recebeu aumento de R$ 2,3 bilhões no teto de média e alta complexidade.

Esse detalhe importa porque hospital não vive só de inauguração. Ele vive de folha, insumo, manutenção, escala e repasse. O debate sobre custeio entrou na mesa junto com a obra.

A solenidade terminou com a cidade em outra posição política. Nova Serrana saiu do “cadê o hospital?” para o “como e quando vai funcionar?”. Essa mudança reduz discurso e aumenta cobrança.

Agora começa a etapa que define reputação. Licitação bem feita, compra correta, transparência em contratos e execução com ritmo. O resto vira história, ou vira outra frustração.

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