Mulher denuncia descaso na ‘Delegacia da Mulher’ e diz que atendimento desestimula vítimas em Divinópolis; ela foi vítima de abuso

Moradora afirma que foi tratada com pouco caso, relata demora, falta de orientação e cobra estrutura mínima para que denúncias não morram na porta de entrada

Publicado por: Redação

Uma denúncia pública feita por Amanda Alves colocou a Delegacia da Mulher de Divinópolis no centro de um novo debate sobre acolhimento, acesso à Justiça e proteção real às vítimas – A denúncia ocorreu durante reunião na Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública, nas dependências da Associação Comercial de Divinópolis – ACID. Ela afirmou que buscou atendimento na Delegacia da Mulher e se sentiu tratada com descaso.

O relato ganhou força porque veio acompanhado de um ponto sensível, segundo ela, o próprio atendimento desestimula mulheres a denunciar agressões e maus-tratos.No depoimento, Amanda disse que, quando mulheres chegam para registrar ocorrência, servidores “fazem de tudo” para fazê-las “voltar para trás”, com falas que colocam dúvida e empurram a vítima para a desistência.

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A observação aparece de forma direta no conteúdo do registro do encontro, com menção explícita a frases como “volta, pense direito”, além da crítica de que “nem ouvem” e não demonstram humanidade ou educação no atendimento. O jornalista que conduziu a conversa no local fez um contraponto importante e enquadrou a responsabilidade institucional. Ele esclareceu a ela que, a Delegacia da Mulher integra a Polícia Civil, e não a Prefeitura de Divinópolis.

Mesmo assim, Amanda pediu apoio do poder público municipal para reforçar a rede de acolhimento. Ela citou necessidade de assistente social, psicólogos e equipe administrativa para melhorar o atendimento, lembrando que a unidade atende Divinópolis e região Centro-Oeste.

Ao contextualizar sua fala, Amanda relatou que foi vítima de crime e buscou a delegacia para registrar a denúncia. No relato, ela afirmou que descobriu por conta própria o nome e o bairro do suspeito. Segundo ela, uma policial teria dito que, apenas nome e bairro não bastavam e que Amanda precisaria descobrir nome completo e endereço, algo que a denunciante interpretou como transferência do trabalho investigativo para a vítima.

A partir daí, a conversa avançou para um trecho ainda mais grave do depoimento. O jornalista pediu que Amanda detalhasse a alegação de tentativa de estupro por ela relatado, e a afirmação de que um escrivão teria rasgado seu depoimento. Ela então diz que, viveu a situação em 3 momentos e descreveu, no primeiro deles, uma espera longa após prestar depoimento. Ela afirmou que o escrivão a chamou de volta e, segundo sua narrativa, o atendimento se arrastou por horas, com saídas para fumar e idas ao banheiro, o que ampliou o tempo total.

Ela também atribuiu a demora e os entraves ao fato de o denunciado ser militar e afirmou que, quando a mulher chega para denunciar, servidores “desqualificam” a vítima e tentam fazê-la desistir, por não quererem “dar serviço”. No mesmo depoimento, Amanda confirmou a afirmação de que o primeiro depoimento foi rasgado, sob a justificativa que não tinha ficado bom.

Ao final, o jornalista resumiu o pedido apresentado por Amanda como um apelo por revisão de protocolos e por reforço da rede de atendimento à mulher, com cobrança direcionada à Polícia Civil e um chamado para apoio complementar da Prefeitura. Amanda encerrou a fala comparando experiências dentro da rede de atendimento. Ela elogiou o atendimento hospitalar que recebeu no Complexo de Saúde São João de Deus e reforçou a cobrança por estrutura e boa vontade para acolher mulheres em situação de violência.

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O caso expõe um ponto que costuma ficar escondido nos corredores, o atendimento vira parte do problema quando a vítima sente que precisa implorar por escuta. E quando a porta de entrada falha, a denúncia morre antes de virar investigação. Amanda, por sua vez, transformou indignação em cobrança pública e deixou uma frase que resume a gravidade do que relatou, “Tentam fazer você não denunciar, você voltar pra trás.”

Agora, a denúncia pede resposta institucional. A fala de Amanda não foi apenas de um atendimento ruim. O relato aponta um risco maior, a cidade pode estar perdendo denúncias reais por falta de acolhimento, orientação e respeito.

O Divinews deixa o espaço aberto para que as instituições citadas por Amanda, se avaliarem como necessário façam seu contraditório a respeito do assunto.

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