Pré-candidato ao Planalto, Zema critica enredo pró-Lula e promete ação na Justiça

Governador de Minas elevou o tom após desfile da Acadêmicos de Niterói, falou em preconceito religioso e anunciou medida judicial

Publicado por: Geraldo Passos

A homenagem a Lula no Carnaval do Rio, que já estava sob contestação eleitoral, ganhou novo capítulo político com o ataque direto de Romeu Zema, pré-candidato da direita à Presidência. Após o desfile da Acadêmicos de Niterói, o governador afirmou que houve desrespeito a evangélicos e declarou que levaria o caso à Justiça.

O enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil” abriu a noite da escola na Sapucaí, com narrativa centrada na trajetória política e social do presidente. Lula acompanhou a apresentação no Rio, enquanto Janja desfilou em carro alegórico, num movimento que ampliou o peso simbólico e eleitoral do evento.

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No material enviado para esta pauta, Zema sustenta que uma ala teria ridicularizado a fé evangélica, e classifica o episódio como preconceito religioso, dizendo que “respeito não é opcional” e que acionará a Justiça. Esse é o eixo da crítica pública apresentada por ele.

A polêmica não começou com Zema. Antes do desfile, partidos da oposição acionaram o TSE tentando barrar a apresentação, com argumento de propaganda eleitoral antecipada, que foi rejeitado liminarmente. Mas a ministra Cármen Lúcia deixou alerta formal sobre risco de ilícito eleitoral, sinalizando que eventual abuso pode ser analisado no processo principal ou em novas representações.

Nesse ambiente, também houve reação de Flávio Bolsonaro e de outros nomes oposicionistas contra a homenagem. Ao mesmo tempo, críticos políticos de Flávio responderam com ataques sobre coerência ética, resgatando acusações antigas ligadas ao caso das “rachadinhas” e debates sobre patrimônio.

No governo federal, a estratégia foi de contenção de danos. A AGU orientou que ministros evitassem participação oficial no desfile e não transformassem a agenda carnavalesca em ato político, para reduzir margem de questionamento jurídico-eleitoral.

Com isso, o caso saiu do campo cultural e entrou de vez no tabuleiro de 2026. Para a direita, o desfile reforça tese de uso simbólico da máquina política. Para o lulismo, a leitura é de manifestação cultural legítima, com tentativa de censura por adversários. No meio desse choque, o TSE permanece como árbitro jurídico da fronteira entre festa popular e propaganda eleitoral.

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