Após formatura médica, CEO do São João detalha parceria com o Hospital Regional de Divinópolis

Após a formatura da turma de residência e especialização de 2026, a CEO do Complexo de Saúde São João de Deus, Elis Regina Guimarães, detalhou os próximos passos da parceria com o Hospital Regional de Divinópolis

Publicado por: Geraldo Passos

A entrevista com a CEO do Complexo de Saúde São João de Deus, Elis Regina Guimarães, ocorreu logo após a cerimônia de formatura dos médicos residentes e especializandos da turma de 2026, em Divinópolis. O ambiente era de celebração, mas o conteúdo avançou para um tema estratégico da saúde regional, o funcionamento do Hospital Regional e os efeitos diretos sobre a rede assistencial já instalada.

Na abertura, Elis destacou o peso da formação concluída e o ganho imediato para a assistência. Segundo ela, a instituição formou 32 profissionais, e parte deles já entrou em operação no dia seguinte. A executiva reforçou que profissionais formados dentro da rotina hospitalar conhecem protocolos, gravidade dos casos, fluxos e equipamentos, o que reduz custo e acelera resolutividade.

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Sobre o Hospital Regional, a CEO foi objetiva ao afirmar que a abertura deve produzir impacto estrutural na rede local. Em trecho literal, ela disse: “Olha, eu tenho certeza que vai ter um grande impacto no São João.” Na sequência, detalhou que hoje o hospital opera com alto custo mensal e atende perfis que poderiam ser absorvidos em estruturas menos complexas, liberando capacidade para casos graves.

Elis também destacou o efeito no deslocamento de pacientes para Belo Horizonte. Em recorte literal: “Quando o regional abrir, a gente vai efetivamente segurar todos esses pacientes que têm que deslocar com a família.” Ela apontou, ainda, que a maternidade de alto risco poderá ser compartilhada, reduzindo transferências e melhorando o cuidado às gestantes da macro.

Outro ponto central da fala foi a redução de fila e a vocação assistencial do São João. Em declaração direta: “Pela primeira vez o São João, depois de tantas coisas que ele passou, ele vai poder vocacionar a estrutura que ele tem, que custa caríssima, que é a alta complexidade.” Para a CEO, a coexistência dos dois hospitais pode acelerar acesso e qualificar o uso de leitos críticos.

Na parte técnica, Elis indicou os eixos que permanecerão prioritários no São João, oncologia, hemodinâmica e nefrologia. Anunciou expansão em curso, com novos leitos, blocos cirúrgicos, CTI adulto e neonatal, além de reforço da capacidade tecnológica para câncer. Em sua fala, cravou: “Nós temos uma meta, nós vamos ser o segundo hospital do câncer do país.”

Sobre hemodinâmica, a CEO trouxe um dado prático de planejamento e mitigou leitura de sobreposição automática entre serviços. O São João seguirá ampliando estrutura própria mesmo com previsão de hemodinâmica no Regional. A linha adotada é de complementaridade, não de recuo.

No trecho mais sensível da entrevista, Elis fez um alerta que virou síntese política e sanitária do encontro. Literalmente disse:  “Tem dois aspectos que me preocupam.” Em seguida, detalhou o principal risco: “Se começar a competir, não dá certo.” E concluiu com a frase mais forte da noite: “Vai começar a concorrer com o São João, os dois vão morrer.” O recado foi claro, sem coordenação de escopo e perfil assistencial, a região perde eficiência.

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Ela também apontou gargalo de força de trabalho, principalmente enfermagem. Segundo Elis, não basta prédio e leito sem escala qualificada para operar. A defesa foi por planejamento conjunto de pessoal entre os dois complexos para evitar subutilização de estrutura nova.

Ao fechar a entrevista, a CEO projetou integração regional com apoio de inteligência artificial para seguimento de pacientes nos municípios, reduzindo deslocamentos de retorno e melhorando continuidade do cuidado. A leitura final da executiva foi positiva, desde que o desenho pactuado seja cumprido com disciplina operacional e governança compartilhada.

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