Banco Central decreta liquidação do Will Bank e atinge milhões de clientes de baixa renda

Instituição digital ligada ao Banco Master é encerrada após colapso financeiro; FGC deve bancar até R$ 5 bilhões em ressarcimentos

Publicado por: Cassia Misael

O Banco Central decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial do Will Bank, instituição digital que integrava o conglomerado financeiro do Banco Master. A decisão encerra definitivamente as atividades da empresa e afeta milhões de clientes, sobretudo pessoas de renda média e baixa, público-alvo do banco desde sua criação.

Segundo o BC, a medida tornou-se inevitável diante do grave comprometimento da situação econômica da instituição, que já não conseguia honrar seus próprios compromissos financeiros. O órgão regulador também apontou que o vínculo direto com o Banco Master  liquidado anteriormente agravou o cenário.

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 Banco já estava sob intervenção

Antes da liquidação, o Will Bank operava sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET). Nesse modelo, o Banco Central assume o controle da instituição para tentar evitar danos maiores ao sistema financeiro e aos clientes.

Inicialmente, o BC manteve o RAET na expectativa de uma venda para um investidor estrangeiro, que chegou a demonstrar interesse na aquisição do banco digital. No entanto, as negociações não avançaram.

Com o acúmulo de dívidas e a ausência de uma solução viável, o regulador concluiu que não havia mais alternativa além do encerramento das operações.

 Bloqueio da Mastercard acelerou a decisão

O desfecho ganhou força após a Mastercard informar, no dia 19, que o Will Bank deixou de cumprir pagamentos obrigatórios no arranjo de cartões. Um dia depois, a bandeira suspendeu a aceitação dos cartões emitidos pela instituição, evidenciando a incapacidade operacional do banco.

Esse episódio pesou decisivamente para o Banco Central decretar a liquidação.

 Impacto direto em milhões de clientes

O Will Bank construiu uma base forte no Nordeste, região que concentrava cerca de 60% dos usuários, muitos deles moradores de cidades pequenas e com pouco acesso ao sistema bancário tradicional.

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Em campanhas institucionais, a empresa afirmava atender aproximadamente 12 milhões de clientes em todo o país.

Com a liquidação, esses consumidores passam a depender do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para reaver valores aplicados.

 FGC deve desembolsar até R$ 5 bilhões

O FGC é responsável por ressarcir clientes e investidores em casos de intervenção ou liquidação bancária. O pagamento considera o valor investido mais os rendimentos até a data da decretação, limitado a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.

A estimativa do mercado é que a liquidação do Will Bank gere um custo próximo de R$ 5 bilhões ao fundo.

 Caso Banco Master segue sob investigação

O episódio do Will Bank ocorre na esteira do colapso do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, liquidado pelo Banco Central em dezembro de 2025. A instituição enfrentava dificuldades financeiras, alto custo de captação e forte exposição a ativos considerados de risco.

O caso também ganhou contornos criminais. Segundo apuração da TV Globo, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo recente da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Investigadores apontam que ele atuaria como sócio oculto de Vorcaro.

O Banco Central informou que continuará apurando responsabilidades e que os bens de controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, conforme prevê a legislação.

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