A Polícia Civil de Minas Gerais desarticulou um esquema sofisticado de fraude no setor de cosméticos que resultou em prejuízo estimado em R$ 6 milhões para uma empresa da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O golpe envolvia consultores de vendas que manipulavam o sistema de cashback e brindes, transformando brindes em créditos financeiros indevidos, que depois eram usados na aquisição de produtos como perfumes, cremes e kits revendidos no varejo por preços muito baixos.
Segundo a PCMG, o esquema foi investigado entre março e outubro de 2025. Durante esse período, o grupo realizou cerca de 163 pedidos simulados que provocavam falhas no sistema da empresa. Essas falhas faziam com que o sistema concedesse brindes ou créditos indevidamente. A líder do esquema é apontada como uma consultora veterana de 51 anos, com mais de 20 anos de atuação na empresa, sem antecedentes criminais registrados.
Foram cumpridos nove mandados de prisão em Belo Horizonte, Contagem e Betim. A corporação também apreendeu milhares de produtos de beleza estocados em condições insalubres, com roedores e insetos, além de documentos que revelam a metodologia do golpe: adquirir produtos a preços praticamente de custo ou abaixo do mercado para revenda com margens elevadas.
A delegada Cristiana Angelini, da Divisão Especializada em Crimes Cibernéticos da PCMG, afirmou que “apesar de o esquema ser bastante sofisticado, sempre há uma brecha que será investigada” e alertou para possíveis colaborações internas à empresa alvo.
A investigação mira agora apurar se havia participação de funcionários da empresa no esquema, além de clientes que revenderam os produtos obtidos ilicitamente. Também se analisa a origem dos brindes e créditos convertidos e a eventual sonegação fiscal derivada da revenda de produtos por valores muito abaixo dos padrões normais de mercado.
Especialistas ouvidos alertam que esse tipo de fraude afeta diretamente a competitividade justa no setor, penaliza revendedores honestos e pode gerar desequilíbrios financeiros importantes nas empresas — especialmente em segmentos com margens de lucro apertadas como o de cosméticos.







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