Exclusiva: Zema nomeia simpatizante da esquerda (PT) para comandar Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis

Nomeação de Rique Braher Lopes Soares expõe contradições ou possíveis acomodações políticas dentro do governo estadual

Publicado por: Geraldo Passos

A nomeação de Rique Braher Lopes Soares para a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis acendeu o alerta político no Centro-Oeste mineiro. A decisão do governador Romeu Zema (Novo), publicada na edição do último sábado (1/11) do Diário Oficial de Minas Gerais, pegou de surpresa aliados do governo e abriu brecha para questionamentos sobre o avanço de nomes de esquerda em cargos estratégicos da administração estadual.

Zema exonerou técnica experiente e colocou nome de viés político

Na mesma publicação oficial, o governo do estado confirmou a exoneração de Kênia Silveira de Carvalho, servidora técnica com experiência no setor, que ocupava o cargo comissionado de nível DAS-8. No lugar, foi nomeado Rique Braher Lopes Soares, ex-procurador da Prefeitura de Bambuí, cuja atuação pública e redes sociais revelam clara afinidade ideológica com o campo da esquerda.

Continua depois da publicidade

O novo superintendente já manifestou, em publicações anteriores no X (antigo Twitter), apoio a pautas e lideranças ligadas ao Partido dos Trabalhadores (PT), além de críticas diretas à direita e à política liberal defendida pelo governador Romeu Zema. Após a repercussão de sua nomeação, Rique fechou o perfil no Instagram, mas esqueceu de restringir o antigo Twitter, onde permanecem registros de suas posições políticas.

Nomeação abre crise silenciosa na base aliada de Zema

Fontes ouvidas pelo Divinews apontam que a escolha do novo superintendente não passou despercebida entre políticos locais e aliados do governador. Segundo apuração, a SRS-Divinópolis tem sido alvo de indicações políticas de vereadores e lideranças regionais que não integram mais a base de apoio de Zema.

Esses cargos, tradicionalmente técnicos, estariam sendo distribuídos como moedas de troca política, em uma estratégia de acomodação que, segundo interlocutores, busca manter pontes com setores antes aliados e hoje distantes do Palácio Tiradentes.

Um ex-assessor da própria SRS ouvido pela reportagem, sob reserva, afirmou que “a estrutura regional da Saúde, em alguns casos,  virou um campo de influência partidária e eleitoral”, com nomeações baseadas em proximidade pessoal e não em mérito técnico.

Contradição no discurso do Novo

A nomeação causa ruído dentro do Novo, partido que sempre se posicionou contra o uso político da máquina pública e pregou o fim das indicações ideológicas. O caso de Divinópolis, no entanto, contraria esse princípio.

Para analistas políticos consultados pelo Divinews, o movimento pode representar uma tentativa de neutralizar resistências locais — especialmente com a aproximação de nomes ligados ao PT e ao governo federal, num momento em que Zema busca ampliar sua influência nacional e fortalecer sua imagem de gestor pragmático.

Continua depois da publicidade

SRS-Divinópolis em meio a disputas e pressões regionais

A Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis é uma das mais estratégicas do estado, com jurisdição sobre dezenas de municípios do Centro-Oeste. Além de gerir recursos, contratos e programas da Secretaria Estadual de Saúde, a SRS tem papel fundamental na interlocução com prefeituras e hospitais regionais,  incluindo o aguardado Hospital Regional de Divinópolis, que se tornou símbolo de disputa política entre o governo estadual e lideranças locais.

Nesse contexto, a nomeação de um gestor com perfil ideológico destoante do governo chama ainda mais atenção e pode gerar instabilidade entre prefeitos e vereadores que integram a base municipal do Novo.

Pragmatismo ou contradição?

A escolha de Zema por um nome identificado com a esquerda reacende o debate sobre a coerência do governo e sua real independência em relação às articulações políticas. Se a nomeação de Rique Braher Lopes Soares for parte de uma estratégia de composição mais ampla, resta saber quais interesses estão sendo atendidos, e até onde o discurso de gestão técnica e apartidária resistirá à prática das conveniências políticas.

O fato é que, em Divinópolis, o discurso do Novo de “menos política e mais eficiência” acabou ganhando um novo capítulo: “mais política, menos coerência”.

 

Continua depois da publicidade

comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

🛈 Aviso sobre comentários no Divinews

Os comentários publicados nesta página são de inteira responsabilidade de seus autores. O Divinews Portal de Notícias Ltda não se responsabiliza pelas opiniões, acusações, ofensas ou informações expressas por terceiros.

Comentários que contenham conteúdo difamatório, injurioso, racista, discriminatório, ameaçador ou que incentivem a violência poderão ser removidos sem aviso prévio.

Em caso de requisição judicial, o Divinews fornecerá às autoridades competentes as informações de identificação do usuário, incluindo o endereço de IP da máquina utilizada, conforme prevê a legislação brasileira.

Continua depois da publicidade

artigos  relacionados