O cantor Oruam, filho do famoso traficante Marcinho VP, voltou aos holofotes ao comentar a maior chacina da história do Rio de Janeiro, que deixou 119 mortos durante uma megaoperação policial em diversas comunidades da capital fluminense. Em um vídeo publicado nas redes sociais, o artista, que se tornou ídolo nas periferias e costuma fazer apologia ao crime em suas músicas, desabafou e afirmou que tanto ele quanto o pai são “reflexo da sociedade”
“Eu sou reflexo da sociedade. Meu pai é reflexo da sociedade. E o bandido que está apontando para a história do fuzil também é reflexo da sociedade”, declarou o cantor. A fala repercutiu amplamente e dividiu opiniões, sendo interpretada por muitos como uma tentativa de justificar a violência e o envolvimento com o crime.
No vídeo, Oruam afirma que a mídia se aproveita da narrativa da violência, transformando o bandido em produto de consumo midiático. “A mídia descobriu que matar bandido vende muito. E essa política é a que mais vende no Rio de Janeiro. No Brasil, a política que mais vende é a de matar bandido”, afirmou.
O artista também atacou o que chamou de hipocrisia social, dizendo que a sociedade “gosta de ver o sangue” e usa o bandido como bode expiatório para esconder os verdadeiros criminosos que, segundo ele, estão em altos cargos e grandes empresas. “O crime não está só na favela. O crime está no governo. O crime está nas câmeras. O crime está em Brasília”, completou.
A fala de Oruam ocorre em meio a uma onda de críticas à Operação Contenção, que resultou em centenas de mortos e é classificada por entidades de Direitos Humanos como “a maior chacina da história do Brasil”. O episódio reacendeu o debate sobre a política de segurança pública, a militarização das favelas e o papel da mídia na cobertura de operações policiais.
Filho de um dos criminosos mais conhecidos do país, Oruam construiu uma carreira musical com forte identificação entre jovens das periferias, onde o tráfico, a falta de oportunidades e o abandono do Estado criam um terreno fértil para a glorificação da criminalidade. No entanto, suas declarações mais recentes levantaram questionamentos sobre os limites entre crítica social e apologia ao crime, especialmente em um momento em que o país discute o papel da polícia e do Estado no enfrentamento da violência urbana.
Enquanto as autoridades investigam os desdobramentos da operação, o desabafo de Oruam revela o quanto a narrativa do crime ainda encontra espaço e eco nas favelas, seja como denúncia da desigualdade, seja como perigosa romantização da violência.






