Na noite de sábado (25), uma situação que começara como abordagem policial a um homem em aparente estado de embriaguez no bairro Itapoã, Região da Pampulha, em Belo Horizonte, ganhou outro nível quando o vereador Juliano Lopes interveio, e, segundo relatos do boletim de ocorrência, desferiu dois socos no rosto de um sargento, além de empurrá-lo enquanto gritava “não vai prender”. O registro formal relata ainda que o militar devolveu a agressão dando um chute na virilha do parlamentar.
O caso resultou em dois boletins de ocorrência. Em um deles, o sargento relatou os socos recebidos, enquanto Juliano se apresentou como vítima da conduta “truculenta” dos militares. Ele nega veementemente as agressões, afirmando que apenas tentou “acometer” uma tensão que fugira do controle e que confia nas imagens do circuito interno como prova de sua versão.
A conduta do presidente da CMBH ultrapassa o simples abuso de autoridade. Ao se envolver fisicamente em uma intervenção policial e agir como se estivesse acima das forças de segurança, com tom de familiaridade autoritária, “você sabe com quem está falando?”, o parlamentar encarnou um papel mais de déspota do que de representante público responsável. Para especialistas em comportamento político, esse tipo de atitude corrói a confiança nas instituições democráticas e fomenta a cultura do privilégio.
A Polícia Civil informou que o caso está sendo apurado, e a Câmara Municipal ainda não divulgou uma postura clara sobre a abertura de procedimento interno ou suspensão de mandato. A imagens ainda não publicadas devem compor o inquérito.
A atitude gera forte repercussão enquanto Juliano ocupa uma das funções mais altas de representação pública em BH. O episódio levanta dúvidas sobre sua conduta e coloca em xeque se o mandatário entende que o poder público deve servir à lei, e não confrontá-la.
Neste momento, o foco se volta para o desfecho da investigação e para o posicionamento da Câmara Municipal diante de um presidente acusado não apenas de transgressão política, mas de violência física contra agente do Estado.






