O Brasil encerrou setembro com um novo recorde histórico na exportação de carne bovina, mesmo diante das tarifas mais altas impostas pelos Estados Unidos. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o país embarcou 314,7 mil toneladas do produto no mês o maior volume já registrado em um único período.
O resultado mostra o vigor do setor pecuário brasileiro, que cresceu 25,1% em relação a setembro de 2024, consolidando o país como maior exportador mundial de carne bovina. O desempenho surpreende o mercado, já que os aumentos tarifários dos EUA, anunciados em agosto, poderiam ter reduzido as vendas externas.
Tarifaço não freou o avanço brasileiro
Em agosto, o governo norte-americano elevou para 76,4% a taxa cobrada sobre a carne bovina do Brasil. O valor inclui uma sobretaxa de 50%, somada à tarifa anterior de 26,4%, e foi adotado sob a justificativa de proteger os produtores locais da “concorrência desleal”.
Mesmo assim, os exportadores brasileiros mantiveram o ritmo. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), as empresas diversificaram seus mercados e redirecionaram embarques para países como México e China, principal destino da carne nacional.
“O setor reagiu rapidamente e compensou o impacto das tarifas com novas rotas comerciais. A China continua absorvendo grande parte da produção, mas o México e outros países da América Latina ampliaram suas compras”, destacou a Abiec em nota.
O que explica o recorde
Especialistas apontam três fatores principais que sustentaram o crescimento:
1️⃣ Demanda internacional aquecida O consumo de carne bovina segue elevado em diversos países, especialmente na Ásia.
2️⃣ Baixa oferta global EUA e outros grandes produtores enfrentam redução no número de animais para abate, o que limita a concorrência.
3️⃣ Competitividade brasileira O Brasil mantém custos de produção mais baixos e oferece carne de qualidade a preços competitivos, mesmo com tarifas adicionais.
Em julho, o país havia registrado o recorde anterior, com 276,9 mil toneladas exportadas. Após uma leve queda em agosto (268,6 mil toneladas), o setor reagiu com força e atingiu o patamar mais alto já observado em setembro.
Brasil mantém protagonismo global
Apesar das tarifas norte-americanas, o Brasil continua enviando carne aos Estados Unidos, principalmente cortes de maior valor agregado e contratos firmados antes da alta de impostos.
O desempenho confirma a resiliência da pecuária nacional, que se consolida como pilar da balança comercial brasileira e reforça a imagem do país como potência agroexportadora.




