Uma operação militar da Marinha de Israel contra a flotilha humanitária Global Sumud resultou na captura de cerca de dez brasileiros e um argentino residente no país. A ação, considerada ilegal por organizações internacionais, ocorreu em águas internacionais, interceptando 13 embarcações de um total de 45 que partiram da Espanha com destino à Faixa de Gaza. Segundo informações da RFI, o governo israelense anunciou que os detidos serão deportados para países europeus.
No total, mais de 170 ativistas foram detidos, enquanto cerca de 30 barcos seguem navegando rumo a Gaza.
Brasileiros entre os detidos
Entre os brasileiros capturados estão a deputada Luizianne Lins (PT-CE) e o ativista brasiliense Thiago Ávila, que gravou um vídeo pedindo socorro: “Cada minuto conta, cada segundo conta. Peçam ao meu governo que me leve para casa imediatamente e que leve todos os ativistas para suas casas”, disse.
Outros nomes confirmados são: Ariadne Catarina Cardoso Teles, Magno de Carvalho Costa, Luizianne de Oliveira Lins, Gabrielle da Silva Tolotti, Bruno Sperb Rocha, Mariana Conti Takahashi, Thiago de Ávila e Silva Oliveira, Lucas Farias Gusmão, Mohamad Sami El Kadri, Lisiane Proença Severo, além do argentino Nicolas Calabrese.
Missão pacífica e condenação internacional
A Anistia Internacional classificou a interceptação como ilegal, afirmando que “nenhuma regra do direito internacional autoriza ataques a embarcações em livre navegação em águas internacionais. A missão da flotilha é pacífica, humanitária e legal”.
O Itamaraty lamentou a ação militar israelense, destacando que a operação “viola direitos e coloca em risco a integridade física de manifestantes pacíficos”. O chanceler Mauro Vieira confirmou preocupação com os 15 brasileiros a bordo.
Governos estrangeiros também reagiram à ofensiva. O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, determinou a expulsão da delegação diplomática israelense. Na França, o ministro Jean-Noël Barrot pediu garantias de segurança para os ativistas. Na Itália, centenas de pessoas se manifestaram em Roma e Nápoles.
Vigílias e mobilização no Brasil
Em São Paulo, familiares e militantes organizaram uma vigília no Al Janiah, espaço cultural fundado por refugiados palestinos, exigindo que o governo brasileiro adote uma posição firme e rompa relações comerciais com Israel.
Histórico de bloqueios e ofensivas
A interceptação não foi um episódio isolado. Entre junho e julho de 2025, a Marinha israelense já havia detido embarcações humanitárias que contavam com a presença da ativista sueca Greta Thunberg e da eurodeputada Rima Hassan, ambas posteriormente expulsas.
A nova ofensiva reacende a pressão internacional sobre ações humanitárias em Gaza, território em situação de guerra e denunciado pela ONU como cenário de fome extrema.





