Rafael dos Anjos, 27 anos, técnico de manutenção de elevadores, permanece internado em estado crítico no hospital de Osasco (Grande São Paulo) desde o final de agosto, após intoxicação por metanol decorrente do consumo de bebida alcoólica adulterada. De acordo com seu tio, Antônio Henrique Albano, Rafael apresenta quadro praticamente vegetativo, sem fluxo sanguíneo no cérebro, dependendo de aparelhos para respirar e sem resposta à sedação que foi retirada recentemente.
Segundo Antônio, Rafael começou a passar mal e perdeu a visão no dia seguinte após beber com amigos. “Quando nós o levamos ao hospital, ele já entrou em coma”, contou. Exames laboratoriais confirmaram a presença de metanol no sangue e indicaram danos irreversíveis à visão e ao cérebro.
Tratamento e quadro atual
Inicialmente, Rafael passou por sessões de hemodiálise para desintoxicação sanguínea. Em seguida, continuou internado na UTI, onde recebeu antibióticos e cuidados intensivos. Apesar da retirada da sedação, ele ainda não despertou do coma. O tio explica que a instabilidade do quadro impede a realização de novos exames ou procedimentos fora da UTI. “Ele depende de manter a pressão controlada, sem medicação, e de respirar com ajuda do ventilador”, detalhou Antônio.
O familiar ressalta que as sequelas definitivas, como a perda permanente da visão, só poderão ser avaliadas se Rafael acordar. “A família está muito abalada. A mãe dele se mantém firme e dedicada, tentando alertar outras pessoas sobre os riscos. Ela passa o dia no hospital, esperando qualquer boa notícia”, acrescentou.
Intoxicações por metanol em São Paulo
Desde junho deste ano, o estado de São Paulo confirmou seis casos de intoxicação por metanol ligados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, com outros dez casos sob investigação, incluindo três mortes. Rafael e cinco amigos intoxicaram-se no final de agosto após consumir um gin importado, comprado em adega da Cidade Dutra. Dos cinco amigos, quatro precisaram de atendimento hospitalar; somente Rafael permanece internado. A Polícia Civil investiga a procedência da bebida e o estabelecimento onde foi adquirida.
Nota oficial do Governo Federal
Em nota oficial divulgada nesta segunda-feira (29), o Governo Federal, por meio do Comitê Técnico do Sistema de Alerta Rápido (SAR), confirmou o décimo caso de intoxicação por metanol em São Paulo e detalhou medidas de monitoramento e prevenção. O encontro envolveu representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura e Pecuária, Anvisa, Polícia Federal, Receita Federal e órgãos de saúde estaduais.
O governo estabeleceu protocolos de ação imediata, alertou fornecedores e consumidores sobre a venda e consumo seguro de bebidas alcoólicas, e orientou que todas as unidades de saúde sigam procedimentos de notificação de intoxicações exógenas. O comunicado reforça que os casos recentes apresentam padrão inédito, com pacientes intoxicados após consumo em ambientes sociais e bares, incluindo bebidas destiladas como gin, whisky e vodka.
Riscos e sintomas da intoxicação por metanol
A intoxicação por metanol é uma emergência médica grave. O corpo metaboliza a substância em produtos tóxicos, como formaldeído e ácido fórmico, capazes de causar cegueira e até óbito. Sintomas incluem visão turva ou perda da visão, náuseas, vômitos, dores abdominais e sudorese intensa. O governo orienta que qualquer suspeita seja reportada imediatamente aos serviços de emergência e aos órgãos de saúde competentes.





