Cientista político diz que a onda bolsonarista virou marolinha, após condenação

Pesquisador afirma que a onda bolsonarista perdeu força após condenações e que o momento político no Brasil é de rearranjo e ressaca.

Publicado por: Redação

O cientista político Gabriel Rezende, com doutorado pela PUC-Rio, resolveu surfar nas águas agitadas da política brasileira e chegou a uma conclusão curiosa: a onda bolsonarista perdeu força e agora mais parece uma marolinha no fim de tarde.

Em entrevista à Agência Brasil, ele declarou, com tom analítico, mas digno de um salva-vidas experiente, que “o momento é de rearranjo político”. Segundo ele, a “tempestade perfeita” que impulsionou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao poder entre 2013 e 2016 já passou. O vento que antes enchia as velas do “capitão” agora sopra fraco, e o barco direitista enfrenta uma calmaria desconfortável.

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Rezende lançará em outubro o livro A ascensão do populismo de direita no Brasil, pela Editora Appris. A obra promete explicar por que o bolsonarismo, esse fenômeno que misturou religião, patriotismo, memes e teorias conspiratórias, está finalmente encontrando o fundo do mar político.

Para o cientista, o Brasil viveu quatro ondas populistas ao longo da história, e a de Bolsonaro teria sido a mais barulhenta e a que mais quebrou pranchas no processo. Ele afirma que “a tentativa fracassada de golpe de Estado em 8 de janeiro foi o ponto em que a maré virou”. Desde então, as condenações e a atuação firme do Judiciário deixaram o movimento em “rota decrescente”.

Em outras palavras, o que antes era tsunami virou ressaca. O cientista político vê o bolsonarismo hoje tentando se reinventar em meio a uma praia suja de fake news, discursos raivosos e influenciadores políticos que, como castelos de areia, desmoronam ao primeiro vento da realidade.

Rezende também destaca o uso das redes sociais como ferramenta essencial na ascensão do populismo de direita, mas agora, segundo ele, os algoritmos parecem menos fiéis. “As mesmas plataformas que impulsionaram o bolsonarismo hoje cobram aluguel caro pela visibilidade”, ironiza.

A metáfora marítima continua: para o estudioso, o Brasil vive um momento de maré baixa, em que antigos surfistas do discurso moralista buscam novas ondas para remar. Enquanto isso, o “povo contra a elite” virou um bordão repetido, mas sem a mesma força de antes um eco que se perde na areia.

Se o bolsonarismo vai ressurgir com uma nova tempestade ou se afundará de vez, só o tempo dirá. Por enquanto, parece que o mar político brasileiro entrou em fase de calmaria, e os antigos marinheiros do populismo de direita estão, no máximo, tentando aprender stand up paddle.

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