Em 2024, 12,5% dos alunos da Educação Básica apresentavam atraso escolar de dois anos ou mais, o que representa 4,2 milhões de estudantes com distorção idade-série. Embora o número seja elevado, ele indica uma ligeira redução em relação a 2023, quando o índice atingiu 13,4%.
Os dados foram extraídos do Censo Escolar 2024, realizado pelo Inep, e integraram o relatório do Unicef Trajetórias de Sucesso Escolar, divulgado nesta quarta-feira, em parceria com o Instituto Claro.
Desigualdades por raça, gênero e região
O estudo revela que a distorção idade-série afeta de forma desigual os estudantes brasileiros. Entre alunos negros da Educação Básica, o atraso escolar alcançou 15,2%, quase o dobro da taxa registrada entre brancos, que ficou em 8,1%.
O problema também apresenta disparidade por gênero. Os meninos registram 14,6% de atraso escolar, enquanto as meninas somam 10,3%. A concentração do fenômeno se dá principalmente nas regiões Norte e Nordeste, em áreas periféricas, na zona rural e entre estudantes pobres, pretos, quilombolas e indígenas.
Trajetórias de Sucesso Escolar
Criado em 2018, o programa Trajetórias de Sucesso Escolar busca oferecer recomendações para estados e municípios construírem políticas públicas que enfrentem a cultura do fracasso escolar e promovam a superação da distorção idade-série.
Atualmente, o programa está presente no Distrito Federal e em estados como Rio de Janeiro, Espírito Santo, Acre, Amapá, Rio Grande do Norte, Tocantins e Sergipe, contribuindo para ações estratégicas de acompanhamento escolar e redução das desigualdades.
Desafios e caminhos para o futuro
O relatório destaca que a superação do atraso escolar requer integração entre políticas educacionais, sociais e comunitárias, visando garantir que cada estudante avance conforme sua faixa etária, fortalecendo a equidade e promovendo oportunidades de aprendizado para todos.






