A morte do instrutor de academia Artur Martins Santos, de apenas 19 anos, segue gerando repercussão em Divinópolis e em todo o Centro-Oeste de Minas. Após a comoção causada pelo assassinato em uma academia no Bairro Interlagos, um novo capítulo trouxe indignação e dúvidas.
O principal suspeito de envolvimento no crime, um homem de 27 anos preso em flagrante no último sábado (6), e colocado em liberdade após audiência de custódia.
Segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), o homem havia dado entrada no sistema prisional, mas deixou a unidade menos de 24 horas depois.
Capturado pela Polícia Militar em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, portando uma pistola calibre 9 mm municiada, com numeração raspada, além de dois celulares e um Fiat Palio que teria sido usado na fuga após o crime.
Decisão judicial libera suspeito
Durante a audiência de custódia, a juíza responsável pelo caso reconheceu a legalidade da prisão em flagrante. No entanto, entendeu que não havia elementos suficientes para decretar a prisão preventiva.
Segundo a magistrada, os documentos apresentados não demonstraram risco imediato de fuga, nem a possibilidade concreta de que o suspeito voltasse a cometer crimes ou atrapalhasse as investigações.
Ela também destacou que a referência ao homicídio de Artur Martins apareceu apenas como notícia nos autos. Por isso, deveria ser investigada em inquérito próprio em Divinópolis, não servindo como justificativa para mantê-lo preso naquele processo, que tratava exclusivamente da apreensão da arma de fogo. Assim, o homem recebeu liberdade provisória, sem a aplicação de medidas cautelares.
O crime que chocou Divinópolis
Artur Martins assassinado na manhã de 2 de setembro, no momento em que chegava para abrir a academia onde trabalhava, no Bairro Interlagos. Segundo a Polícia Militar, dois homens em um Fiat Uno prata pararam em frente ao local. Enquanto o motorista permaneceu no carro, o passageiro desceu usando uma touca ninja.
Ele entrou no estabelecimento, chamou pelo nome do instrutor e, em seguida, atirou duas vezes. Os disparos atingiram Artur no pescoço e no peito. O jovem chegou a ser socorrido e passou por cirurgia no Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD), mas não resistiu.
Na cena do crime, a perícia recolheu cápsulas deflagradas de munição. O veículo usado pelos criminosos encontrado abandonado em uma rua de Divinópolis. Dentro dele, os policiais localizaram uma balaclava e coletaram amostras de DNA. O carro, segundo o registro, havia furtado em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Investigação em andamento
A Polícia Civil de Divinópolis segue investigando o caso. As autoridades trabalham para esclarecer a motivação do crime, identificar todos os envolvidos e confirmar a participação do homem solto pela Justiça.
Até o momento, nenhuma linha de investigação descartada. Os investigadores analisam desde a hipótese de crime motivado por questões passionais até outro envolvimento.
Violência crescente em Divinópolis
O homicídio de Artur não foi um caso isolado. Nos últimos meses, Divinópolis registrou crimes violentos que chamaram a atenção, como execuções a tiros em plena luz do dia e mortes motivadas por disputas pessoais. A Polícia Civil tenta traçar conexões entre os episódios para entender se fazem parte de um mesmo contexto de violência organizada ou se tratam de crimes isolados.






