Divinópolis, conhecida como polo econômico do Centro-Oeste mineiro, enfrenta um cenário contraditório em 2025. Embora mantenha a liderança regional no Ranking de Competitividade dos Municípios, a cidade sofreu uma perda expressiva de 52 posições no cenário nacional, passando da 94ª colocação em 2024 para a 146ª posição neste ano.
O levantamento divulgado no fim de agosto pelo Centro de Liderança Pública (CLP) e revelou um retrato preocupante sobre os pilares que sustentam o desenvolvimento municipal.
No contexto regional, Divinópolis ainda se destaca. Itaúna aparece em seguida, ocupando a 167ª colocação, enquanto Pará de Minas figura no 190º lugar entre os 418 municípios analisados em todo o Brasil. Entretanto, mesmo com a liderança regional garantida, a queda nacional de Divinópolis chama atenção e acende o alerta para áreas que precisam de maior atenção do poder executivo.
O ranking avalia 65 indicadores organizados em 13 pilares temáticos, distribuídos em três grandes dimensões: instituições, sociedade e economia. Assim, ele mede a capacidade de cada município de planejar e executar políticas públicas que impactam diretamente o bem-estar da população.
Segundo os dados, Divinópolis apresentou piora em nove dos 13 pilares avaliados. Entre os destaques positivos, a cidade avançou em Funcionamento da Máquina Pública, Acesso à Saúde, Meio Ambiente e Inovação e Dinamismo Econômico. Entretanto, a queda em setores fundamentais, como Educação, Capital Humano e Sustentabilidade Fiscal, resultou no forte recuo no panorama do ranking.
Queda nos números
Os números detalham essa realidade. No pilar de Sustentabilidade Fiscal, a cidade caiu 30 posições, ficando agora no 218º lugar. Já no pilar de Capital Humano, a perda ainda mais significativa, uma queda de 81 colocações, ocupando atualmente a 180ª posição. Na Qualidade da Educação, o município também sofreu um recuo de 20 posições, ficando no 32º lugar. No Acesso à Educação, Divinópolis atingiu uma das piores marcas, caindo 14 colocações e alcançando a 345ª posição.
Por outro lado, os avanços em áreas específicas revelam um cenário de contrastes. No Acesso à Saúde, Divinópolis subiu impressionantes 40 posições, alcançando o 8º lugar no ranking nacional. Esse desempenho se deve, principalmente, à melhora expressiva na Cobertura da Atenção Primária, que passou da 235ª colocação para a 119ª. Além disso, a cidade figura em 4º lugar na Cobertura de Saúde Suplementar, além de registrar avanços em Cobertura Vacinal, que subiu 43 posições, e no Atendimento Pré-natal, que melhorou em oito posições.
No quesito Meio Ambiente, Divinópolis também demonstrou evolução, conquistando 31 posições e passando a ocupar a 271ª colocação. Embora ainda esteja distante dos líderes nacionais, o resultado mostra avanços em políticas ambientais. Já em Funcionamento da Máquina Pública, o município conseguiu subir nove posições, ocupando agora o 116º lugar, sinalizando algum progresso na gestão administrativa.
Educação
Quando o foco se volta para a educação, os dados revelam o maior desafio da cidade. A taxa de atendimento na educação infantil caiu 14 posições, ficando em 230º lugar. No ensino fundamental, houve uma melhora de 27 posições, alcançando a 248ª colocação, mas a evolução não foi suficiente para compensar os demais retrocessos. No ensino médio, a cidade caiu três colocações e agora está em 132º. O cenário mais crítico aparece no número de alunos em tempo integral, onde Divinópolis figura entre as piores do país: 345º na educação infantil, 346º no ensino fundamental e 359º no ensino médio.
Essa combinação de avanços pontuais com quedas significativas em áreas estratégicas explica por que Divinópolis perdeu tanto espaço no ranking nacional. A cidade ainda se mantém como referência regional, mas o retrocesso de 52 posições reforça a necessidade de ações mais efetivas, especialmente no setor educacional e na sustentabilidade fiscal.
Ao mesmo tempo, o levantamento deixa claro que a competitividade municipal vai além da economia. Ele envolve saúde, meio ambiente, segurança, educação e gestão pública. Por isso, embora Divinópolis tenha mostrado força em alguns setores, a queda global mostra que o equilíbrio entre os indicadores é fundamental para garantir uma posição sólida no cenário nacional.
Portanto, Divinópolis encara em 2025 o desafio de transformar sua liderança regional em competitividade consistente no Brasil. Se não houver investimento estratégico em educação, capital humano e finanças públicas, a cidade pode perder ainda mais posições no futuro, mesmo com avanços em áreas como saúde e meio ambiente.





Na competitividade quase todos os municípios caíram, com poucas exceções em MG e no país. Municípios tidos como mais ricos e bem geridos estão bem atrás de Divinópolis. Precisa melhorar, é claro, mas não é fácil. O oitavo lugar na saúde deve ser comemorado.