A seleção brasileira feminina de vôlei mostrou força, garra e poder de reação ao vencer a França por 3 a 0, nesta quinta-feira (4/9), pelas quartas de final do Mundial. O placar pode sugerir uma vitória tranquila, mas a história em quadra foi completamente diferente: sets disputados ponto a ponto, viradas emocionantes e muita superação até a conquista da vaga na semifinal.
O primeiro set começou com domínio brasileiro. O saque encaixava, o passe era consistente e a distribuição de jogadas da levantadora Roberta encontrava com precisão Julia Bergmann, Diana e Gabi. Logo o placar marcava 10 a 5 para o Brasil, obrigando o técnico francês a pedir tempo. A parada fez efeito, e a equipe europeia voltou melhor, explorando as falhas no passe brasileiro e pressionando no saque. Em poucos minutos, a vantagem mudou de lado: 21 a 20 para a França. Mas, quando parecia que as francesas fechariam a parcial, um bloqueio de Julia Kudies reacendeu a chama verde e amarela. No detalhe, com um erro de rede da adversária, o Brasil fechou em 27/25.
A segunda parcial foi ainda mais dramática. A França começou agressiva, quebrando o passe brasileiro e abrindo larga vantagem: 19 a 15. O Brasil parecia acuado, mas uma reação fulminante, com quatro pontos seguidos, devolveu a esperança e incendiou o jogo. A disputa virou uma verdadeira batalha mental. Set points foram salvos de ambos os lados, e a torcida assistia a um espetáculo de voleibol em seu estado mais puro. Em um lance polêmico, a arbitragem chegou a marcar o fim do set em 28 a 26 para a França, mas o pedido de revisão apontou toque no bloqueio francês. Com o placar corrigido, tudo voltou à estaca zero. Depois de trocas intermináveis de pontos, brilhou a estrela de Gabi, que colocou a bola no chão e decretou o 33/31.
No terceiro set, enfim, o Brasil conseguiu respirar. Com o moral elevado e a França abalada pelo desgaste das duas primeiras parciais, a equipe brasileira manteve a dianteira desde o início. O saque voltou a entrar, o passe estabilizou, e o bloqueio-defesa mostrou eficiência. Julia Bergmann, já confiante, cresceu ainda mais e garantiu a vitória em 25/19, colocando o Brasil entre as quatro melhores seleções do mundo.
Individualmente, os destaques ficaram por conta de Julia Bergmann, maior pontuadora do jogo, com 18 pontos, e peça decisiva nos momentos de pressão. Gabi oscilou, chegou a ser bloqueada em pontos cruciais, mas terminou firme, com 13 pontos. Rosamaria impressionou pela altíssima eficiência no ataque, enquanto as centrais Diana e Julia Kudies foram fundamentais no bloqueio e também no saque.
Com o resultado, a seleção brasileira mantém vivo o sonho de conquistar um título inédito. O próximo desafio, no entanto, será contra uma verdadeira muralha: a Itália, atual campeã olímpica e da Liga das Nações, que soma 34 vitórias consecutivas. O duelo acontecerá neste sábado (6/9), às 9h30, com transmissão do sportv2 e acompanhamento em tempo real pelo ge. Um detalhe que anima: a última derrota italiana foi justamente para o Brasil, em junho do ano passado, pela fase classificatória da Liga das Nações.






