Produção mineira de vinhos cresce e conquista reconhecimento internacional

Com apoio da ciência e do enoturismo, Minas Gerais consolida vinhos de inverno como parte da identidade cultural, econômica e gastronômica do estado.

Publicado por: Redação

Vinhos despontam como identidade cultural de Minas Gerais e atraem turismo A tradição mineira, já marcada pela culinária, pelos queijos e pelo café, agora ganha mais um elemento de destaque: os vinhos de inverno.

A produção de vinhos finos de alta qualidade cresce de forma acelerada em Minas Gerais e se firma como parte da identidade cultural e econômica do estado. O movimento é celebrado no Festival Uai Wine, que segue até domingo (31) no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

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Da ciência ao mercado

O cenário, antes improvável, começou a mudar nas últimas duas décadas com a introdução da tecnologia da dupla poda da videira, adaptada e validada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). O método permitiu colher uvas no inverno, sob condições ideais para a produção de vinhos finos.

Em 2020, Minas contava com cerca de 50 vinícolas. Hoje, já são aproximadamente 130, espalhadas por diferentes regiões. Os vinhos mineiros conquistam prêmios nacionais e internacionais, ampliando o prestígio da produção local e fortalecendo setores como gastronomia e turismo.

Gastronomia e identidade mineira

Para a chef e historiadora Juliana Duarte, do restaurante Cozinha Santo Antônio, em Belo Horizonte, os vinhos se tornaram parte essencial da experiência cultural do estado.

“Eu entendo tradição como transmissão, não como algo que nos amarra ao passado. Aqui, somos cheios de mineirices nos ingredientes, na forma de servir e receber. O vinho mineiro é um dos nossos carros-chefes, tenho muito orgulho de servir”, disse.

A carta de vinhos do restaurante inclui rótulos locais, oferecidos em harmonização com menus especiais que atraem turistas e missões estrangeiras. “As pessoas têm curiosidade de conhecer, e eu faço questão de indicar. É uma forma de apresentar Minas para o mundo”, completou Juliana.

Políticas públicas e reconhecimento

A expansão da produção conta com o apoio de políticas públicas. O Sindicato da Indústria do Vinho de Minas Gerais (Sindvinho), presidido por Heloísa Bertoli, atua para fortalecer o setor e articula o projeto do Selo de Origem Mineira – Uai Wine, que prevê a inclusão de, no mínimo, três vinhos mineiros nas cartas de estabelecimentos que comercializam a bebida.

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O vice-governador Mateus Simões destacou a importância das ações conjuntas. “O trabalho começou no campo, mas hoje envolve a criação de rotas enoturísticas, o apoio a eventos como o Uai Wine e a integração com outras cadeias produtivas.”

Enoturismo e pequenos produtores

De acordo com José Procópio Stella, presidente da Associação dos Produtores de Uva e Vinho de Minas Gerais (Uva-MG) e proprietário da vinícola centenária Stella Valentino, localizada em Andradas, quase 90% das vinícolas mineiras são pequenas e voltadas ao turismo rural.

“Os vinhos mineiros já ganham prêmios no mundo inteiro. Precisamos mostrar ao próprio mineiro que temos qualidade em todas as regiões. Além disso, o enoturismo nos permite criar experiências únicas ao lado do café, dos queijos, doces, azeites e do artesanato. Isso torna Minas ainda mais atraente”, afirmou.

Festival Uai Wine celebra conquistas

O Festival Uai Wine, em andamento no Palácio da Liberdade, reúne produtores, especialistas e apreciadores para degustações, debates e experiências culturais.

O evento reforça o papel do vinho como vetor de desenvolvimento econômico e cultural, colocando Minas Gerais em posição de destaque no cenário nacional.

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