O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) anunciou a suspensão preventiva do contrato com a Crefisa, após a constatação de diversas irregularidades nos serviços prestados pela instituição financeira a aposentados e pensionistas. A decisão, portanto, pretende proteger os segurados diante de problemas que vêm sendo relatados nos últimos anos.
Problemas identificados
Conforme o INSS, a Crefisa era responsável por pagar aproximadamente 1,7 milhão de beneficiários, em um universo de 41 milhões de aposentados e pensionistas em todo o país. Quem já recebe os pagamentos pela operadora continuará recebendo normalmente. No entanto, os novos aposentados e pensionistas passarão a ter os benefícios depositados por outros canais definidos pelo Instituto.
A auditoria do órgão revelou uma série de falhas e práticas abusivas. Entre elas estão:
dificuldades ou impedimento no recebimento dos benefícios;
atrasos e recusas de pagamento;
restrições para saque;
coação para abertura de conta-corrente;
venda casada de produtos, como empréstimos consignados;
estrutura precária em agências;
filas extensas;
ausência de caixas eletrônicos;
falta de informações claras;
e atendimento inadequado.
Resposta da Crefisa
Em nota oficial, a Crefisa afirmou que “vem prestando regularmente o serviço desde 2020, sem qualquer interrupção, não havendo reclamação de qualquer beneficiário que tenha deixado de receber o seu benefício.” Assim, a empresa nega qualquer falha na execução do contrato.
Relatório da auditoria
Mais cedo, o INSS divulgou um relatório elaborado pela própria auditoria interna. O documento aponta que, em setembro de 2022, ainda durante o governo de Jair Bolsonaro, a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag) foi beneficiada com mais de 32 mil descontos realizados de forma irregular.
Esses descontos, entretanto, foram aplicados de uma só vez, sem autorização dos aposentados — prática que não encontra respaldo nas normas do INSS. A operação, inclusive, foi feita fora de qualquer registro oficial do Instituto. Como resultado, cerca de 6 mil aposentados procuraram a autarquia alegando não terem autorizado os descontos em favor da Contag.
Posteriormente, em 2023, já sob o governo Lula, os auditores confirmaram o desbloqueio em lote. A Contag, por sua vez, afirma que denunciou os descontos indevidos por duas vezes ao INSS e que apresentou toda a documentação necessária. Além disso, a entidade alega que todas as operações ocorreram dentro da legalidade.
Impacto e próximos passos
A suspensão do contrato da Crefisa, portanto, reforça a preocupação do INSS com a transparência e a proteção dos aposentados e pensionistas. O caso segue em apuração e novas medidas poderão ser adotadas para garantir que os segurados recebam seus benefícios com segurança e sem prejuízos.



