A segurança pública em Divinópolis enfrenta um colapso silencioso, que já afeta diretamente a rotina dos moradores. Durante a reunião ordinária desta quarta-feira (30), a Associação Comunitária para Assuntos de Segurança Pública (ACASP) revelou uma das falhas mais graves do sistema: a escassez de delegados da Polícia Civil no município.
O encontro ocorreu na sede da Associação Comercial, Industrial, Agropecuária e de Serviços de Divinópolis (ACID). Participaram representantes das forças de segurança, lideranças políticas e membros da sociedade civil. Os relatos expuseram um cenário de sobrecarga, improviso e desgaste estrutural, que compromete o funcionamento das instituições de segurança.
Número reduzido de delegados agrava a crise e exige resposta do poder público
O presidente da ACASP, Breno Clementino, destacou a fragilidade da estrutura da Polícia Civil. Atualmente, Divinópolis conta com apenas seis delegados em atividade, quando o ideal seria, no mínimo, quinze profissionais atuando simultaneamente.
“É inconcebível que uma cidade do porte e importância de Divinópolis funcione com menos da metade do número necessário de delegados. Esperamos que nossos deputados e senador intervenham junto ao governo estadual para corrigir essa distorção com urgência”, cobrou Clementino.
Polícia Militar denuncia acúmulo de funções e riscos à efetividade dos atendimentos
O capitão Celso, da Polícia Militar, confirmou a denúncia e relatou um caso emblemático. Em determinado plantão, um único delegado precisou atender duas delegacias diferentes, dividindo seu tempo entre elas. A situação evidencia o nível de sobrecarga e o risco de colapso completo do sistema investigativo.
Ele também alertou que a ausência de delegados compromete a condução de ocorrências mais complexas. Com isso, a PM acaba assumindo tarefas que extrapolam sua atribuição, o que enfraquece o processo de apuração e responsabilização.
Trânsito urbano também foi pauta: proposta busca reduzir impactos de obras nas vias
Durante o encontro, a ACASP também apresentou uma proposta para melhorar a sinalização em obras e eventos temporários. A ideia é instalar placas informativas em pontos estratégicos, sob responsabilidade da Settrans, para orientar motoristas e evitar congestionamentos.
A medida recebeu apoio imediato de participantes como Pádua Fernandes e Carrilho, que destacaram os transtornos causados por obras mal sinalizadas nas proximidades do terminal rodoviário do bairro Bom Pastor.
Cães soltos nas ruas e lacuna na legislação geram insegurança jurídica
Outro tema debatido foi a presença de cães da raça Pitbull circulando sem focinheira em áreas públicas. Moradores demonstraram preocupação com a falta de fiscalização e com a indefinição sobre qual órgão deve aplicar penalidades nesses casos.
Um representante da Polícia Militar explicou que a legislação estadual não define com clareza as responsabilidades quanto à fiscalização, apreensão dos animais e aplicação de multas. Essa lacuna, segundo ele, gera insegurança jurídica e dificulta a atuação dos agentes públicos.
“Precisamos de normas claras para agir com respaldo legal. A indefinição atual nos expõe a riscos e abre margem para acusações de abuso de poder”, alertou o policial.
Projeto de lei municipal busca regulamentar circulação de cães perigosos
Diante da ausência de uma legislação específica, o vereador Wesley Jarbas informou que protocolou um projeto de lei na Câmara Municipal. A proposta estabelece regras claras para a circulação de cães de grande porte em espaços públicos, incluindo a obrigatoriedade do uso de focinheira.
O texto também atribui responsabilidades específicas aos órgãos de fiscalização, garantindo mais segurança para a população e respaldo jurídico para os servidores.






