Num cenário onde o preconceito ainda é uma barreira diária, a Galorys, organização mineira de eSports, escreve um novo capítulo na história da inclusão. A empresa acaba de lançar a primeira equipe de Counter-Strike 2 (CS2) composta exclusivamente por atletas PCD com nanismo.
O projeto vai muito além da competição. Ele nasce como um manifesto contra o preconceito estrutural e uma declaração pública de que o espaço competitivo também pertence às pessoas com deficiência.
Representatividade com resultado: mais que um time, um movimento social
A formação dessa equipe não é apenas simbólica. Ela chega com suporte técnico de alto nível, metas esportivas claras e o acompanhamento de um staff profissional. Quem comanda a equipe é Mateus “Anãozera” Pesarini, treinador que também tem nanismo e entende, na pele, os desafios diários de seus atletas.
“O mundo ainda enxerga pessoas com nanismo só no lugar da comédia. Chegou a hora de mudarmos essa narrativa”, afirma Anãozera. Ele lembra que até mesmo dentro de pautas de inclusão, muitas vezes, atletas PCD ficam à margem das oportunidades.
Mudança de trajetória: do humor ao alto desempenho
Antes de se tornarem atletas profissionais, os integrantes da nova line up da Galorys eram criadores de conteúdo voltados para o humor. Agora, o foco é outro: performance, estratégia e resultados.
Com treinos diários, revisão tática e acompanhamento psicológico, os jogadores como Leonardo “Tequileiro” Baltar e Henrique “Mini Craque” Saturnino se preparam para enfrentar os maiores desafios da cena competitiva.
“Nós sabemos que competir é muito mais difícil do que fazer rir. Vamos suar, vamos errar, mas também vamos vencer”, disse Tequileiro, capitão da equipe.
Superação que vira exemplo
A estreia oficial aconteceu no dia 18 de junho na Liga Aberta da Gamers Club, uma das principais plataformas do CS nacional. Mas o projeto vai além dos servidores de jogo.
Além disso, a Galorys também lançou uma série de conteúdos para mostrar os bastidores da equipe. Os vídeos abordam desde a rotina de treinos até as adaptações necessárias no uso de equipamentos – uma realidade muitas vezes invisível para o público gamer e para fabricantes de periféricos.
Inclusão nos eSports: um caminho sem volta
Portanto, para a Head de eSports da Galorys, Soraya Vasconcelos, o projeto tem duas grandes missões: elevar o nível competitivo e abrir portas para novas histórias de inclusão.
“Quando eles nos apresentaram a ideia, nossa primeira preocupação foi saber se havia seriedade. Eles mostraram que estavam prontos para competir e para representar milhares de pessoas que ainda não se sentem vistas no cenário dos eSports”, destaca Soraya.
Além disso, a Galorys trabalha agora para estruturar uma estratégia comercial que traga patrocinadores conscientes e alinhados com a proposta de inclusão social.
Um novo olhar para o futuro
Além disso, a equipe PCD da Galorys representa uma virada de chave para os eSports brasileiros. Mostra que talento, garra e dedicação não têm tamanho ou limitação física.
Portanto, mais do que uma equipe, eles são o reflexo de um movimento crescente: o de quebrar preconceitos, de abrir espaço para quem sempre ficou de fora e de mostrar que, nos eSports, como na vida, o verdadeiro adversário é a exclusão. E a vitória, agora, é coletiva.





