Foi protocolado nesta terça-feira (10) o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Apostas, assinado pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). O texto recomenda o indiciamento de 16 pessoas, incluindo influenciadores digitais, empresários e representantes de plataformas de apostas. A expectativa é que o parecer seja lido e votado ainda nesta semana no Senado. Entre os nomes mencionados, estão as influenciadoras Virginia Fonseca e Deolane Bezerra. Virginia é apontada por envolvimento em publicidade enganosa e estelionato, sendo acusada de incentivar seguidores a apostar com promessas irreais de retorno financeiro. Já Deolane figura como suspeita de crimes como lavagem de dinheiro, estelionato e associação a organização criminosa, além de promover jogos de azar sem autorização.
De acordo com Soraya, Deolane seria sócia oculta da casa de apostas ZeroUm, que opera amparada por decisão liminar da Justiça paulista. A senadora também afirmou que a influenciadora divulga de forma intensa a atividade considerada ilegal por meio de suas redes sociais.
A lista de indiciados inclui ainda nomes como Ana Beatriz Scipiao Barros, Jair Machado Junior e José Daniel Carvalho Saturino, todos associados a práticas criminosas ligadas ao funcionamento clandestino de jogos e apostas, lavagem de dinheiro e atuação em organizações criminosas.
Apesar das acusações, os pedidos de indiciamento não têm efeito automático. O relatório funciona como uma sugestão, cabendo ao Ministério Público e à Advocacia-Geral da União a análise dos elementos apresentados para decidir sobre a apresentação formal de denúncias.
Soraya destacou que, além de apontar responsabilidades, o documento apresenta sugestões legislativas para aprimorar o controle estatal sobre o setor de apostas online, como a criação de um adendo regulatório para permitir o monitoramento mais eficaz dos usuários dessas plataformas.
Após quase sete meses de investigações, a CPI das Bets chega ao fim com pouca mobilização no Senado. A comissão enfrentou críticas de senadores e líderes partidários, que apontaram espetacularização e falta de foco, principalmente durante depoimentos de celebridades da internet. A senadora lamentou a baixa adesão e considerou o relatório como a principal contribuição possível frente às limitações enfrentadas.
Entre os momentos controversos, destacam-se o depoimento de Virginia Fonseca, que causou tumulto nos corredores da Casa, e a audiência com o influenciador Rico Melquiades, que chegou a demonstrar aos parlamentares como funcionava o jogo “Tigrinho”.
Confira os nomes citados no parecer final:
Adélia de Jesus Soares: crimes de lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Daniel Pardim Tavares Gonçalves: crimes de falso testemunho, crimes de lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Deolane Bezerra dos Santos: contravenções penais de jogo de azar e loteria não autorizada e pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Ana Beatriz Scipiao Barros: contravenções penais de jogo de azar e loteria não autorizada e pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Jair Machado Junior: contravenções penais de jogo de azar e loteria não autorizada e pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
José Daniel Carvalho Saturino: contravenções penais de jogo de azar e loteria não autorizada e pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Leila Pardim Tavares Lima: contravenções penais de jogo de azar e loteria não autorizada e pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Marcella Ferraz de Oliveira: contravenções penais de jogo de azar e loteria não autorizada e pelos crimes de estelionato, lavagem de dinheiro e integração de organização criminosa;
Virginia Pimenta da Fonseca Serrão Costa: crimes de publicidade enganosa e estelionato;
Pâmela de Souza Drudi: crimes de publicidade enganosa e de estelionato;
Erlan Ribeiro Lima Oliveira: crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa;
Fernando Oliveira Lima: crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa;
Toni Macedo da Silveira Rodrigues: crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa;
Marcus Vinicius Freire de Lima e Silva: crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, exploração de jogos de azar, associação criminosa, tentativa de influência indevida no Poder Judiciário, corrupção ativa e tráfico de influência;
Jorge Barbosa Dias: crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, sonegação fiscal e exploração ilegal de jogos de azar;
Bruno Viana Rodrigues: crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e exploração ilegal de jogos de azar.
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