Live Exclusiva: Padre Philipe Fernandes, da Diocese de Divinópolis, destaca “Clima de Copa do Mundo” e emoção na escolha do Papa Leão XIV

Em entrevista, sacerdote relata momentos históricos do final do Conclave e primeira benção do cardeal; Paróco divinopolitano destaca perfil conciliador e moderado para atual papado.

Publicado por: Redação

Direto da Praça de São Pedro, no Vaticano, o padre Philipe Fernandes, da Diocese de Divinópolis, compartilhou ao vivo com o Divinews, nesta quinta-feira (8), os bastidores da eleição do novo pontífice da Igreja Católica, o Papa Leão XIV.  A escolha do cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, que viveu por décadas no Peru, surpreendeu muitos dentro e fora da Cúria, mas foi recebida com entusiasmo e esperança pelo sacerdote mineiro.

“Foi um verdadeiro clima de Copa do Mundo”, descreveu o padre, ao relembrar a atmosfera entre fiéis e religiosos durante os dias do Conclave. “Eu participei da missa de inauguração, das fumaças de ontem e de hoje. Quando apareceu a fumaça branca, por volta das 18h07, foi uma emoção indescritível. As pessoas choravam, se abraçavam, e eu tive o privilégio de estar bem em frente à janela da Basílica. Foi histórico.”

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Segundo ele, o nome escolhido pelo novo Papa – Leão XIV – carrega simbolismo importante. “O Papa Leão XIII, do final do século XIX, foi um grande defensor da justiça social. Escolher esse nome é uma sinalização clara de que o novo pontífice valoriza as questões sociais, a paz e o equilíbrio”, avaliou.

Perfil moderado e simbologia da paz

Padre Philipe destacou que, embora Prevost não fosse um dos nomes mais cotados inicialmente, seu perfil corresponde ao que muitos cardeais buscavam. “É um Papa de perfil moderado. Nem progressista, nem conservador demais. A Igreja procurava alguém de centro, com equilíbrio, que pudesse dar continuidade ao legado de Francisco, sem rupturas drásticas”, afirmou.

A primeira frase dita por Leão XIV ao aparecer na janela do Vaticano reforçou essa linha: “A paz como dom do Ressuscitado”. Para o sacerdote, essa fala inicial carrega um peso teológico e simbólico. “Foi o mesmo que Jesus disse aos apóstolos ao ressuscitar. Ele já se apresenta como construtor de pontes, promotor da paz entre os cristãos e no mundo. É disso que precisamos num tempo de polarizações e conflitos”, refletiu.

Papa multicultural e atento à América Latina

Questionado sobre a biografia do novo líder da Igreja, Philipe lembrou que Prevost é americano de nascimento, mas com trajetória profundamente conectada à América Latina. “Ele viveu quase toda sua vida religiosa no Peru, conhece bem nossa realidade, a pobreza, a desigualdade. Isso aproxima ainda mais a Igreja da nossa gente.”

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Apesar do entusiasmo, o padre não ignorou as notícias que circularam sobre suposta omissão do então cardeal em casos de abusos ocorridos na região andina. “Não há nada confirmado. São investigações em curso. Mas pelo que sabemos, assim que tomou ciência dos fatos, ele comunicou imediatamente ao Vaticano, o que mostra responsabilidade. Quem assume uma liderança mundial sempre enfrentará ataques e suspeitas. O importante é investigar e tomar as medidas cabíveis com justiça”, pontuou.

Experiência rara e inesquecível

O padre também relatou a dificuldade de comunicação durante o momento do anúncio, devido à sobrecarga nas redes de internet do Vaticano. “A praça estava abarrotada. Eu não conseguia mandar nem fotos nem vídeos. Foi impossível. Mas vivi tudo intensamente, e isso vai ficar marcado em mim pra sempre.”

Essa não foi a primeira experiência histórica vivida pelo sacerdote. “Participei do funeral de dois Papas e agora dessa eleição. Nunca imaginei viver isso. É uma emoção que levo para a vida”, declarou.

Philipe também confirmou que pretende estar presente na primeira missa oficial do novo Papa, que deve ocorrer na próxima semana. “Há quem aposte que será no dia de Nossa Senhora de Fátima ou no de São Matias. Seja como for, estarei aqui para viver mais esse momento junto à Igreja”, disse.

No encerramento, reafirmou a importância de a Igreja Católica ter uma liderança capaz de promover unidade. “Estamos num mundo marcado por divisões, ódio, extremismos. A escolha de um Papa moderado, com capacidade de diálogo, é um sinal de esperança. Que o Espírito Santo continue guiando a Igreja nesse caminho.”

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