José Francisco Martins, em entrevista ao Divinews no último sábado (12), destaca resultados do modelo humanizado, critica sistema prisional tradicional e explica com clareza polêmica sobre benefício previdenciário: A APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) de Divinópolis se tornou referência nacional e internacional em um tema que o Brasil há décadas falha em resolver: a reintegração de pessoas privadas de liberdade à sociedade. Em entrevista ao Divinews, o presidente da entidade, José Francisco Martins, compartilhou não apenas a trajetória da instituição, mas também desmistificou conceitos que geram desinformação e preconceito, como o polêmico auxílio-reclusão, em que muitos equivocadamente pensam que todos os presidiários o recebem.
Durante a visita às instalações da APAC, o jornalista Geraldo Passos pôde constatar o que já se sabe nos meios jurídicos e penitenciários, mas pouco se vê na prática: um sistema de privação de liberdade que não anula a dignidade humana. Na APAC, os detentos não são chamados de presos, mas de “recuperandos”, o que já expressa a essência da proposta: recuperar, e não punir por punir.
“A APAC é um renascimento. Não só para o recuperando, mas também para nós, voluntários. Eu percebo que ganhei muito mais do que ajudei”, revelou Francisco, presidente da entidade.
Capacidade, estrutura e expansão
Atualmente, a unidade de Divinópolis conta com 108 recuperandos, número que, segundo o presidente, deverá subir em breve para 146 e, até o fim do ano, chegar a 200, mediante ampliação do convênio com o Estado.
“Na APAC não há superlotação. Se temos 108 vagas, temos 108 pessoas. O Estado deveria investir mais em locais como esse”, afirma Francisco, fazendo referência à situação do sistema convencional, como a Penitenciária Floramar, que hoje abriga cerca de 900 detentos, contra apenas 90 em décadas passadas.
Humanização e trabalho como pilares da recuperação
Para Francisco, o trabalho é um dos pilares centrais da metodologia e deve ser compreendido como ferramenta terapêutica e de reconstrução social:
“O trabalho é terapia ocupacional. Ele prepara o ser humano para retornar ao convívio. Do jeito que está o sistema comum, a sociedade só toma prejuízo, financeiro e social.”
Segundo ele, o modelo tradicional está falido, produz reincidência, desumanização e superlotação crônica. Já o modelo APAC, criado em Minas Gerais, já foi adotado em mais de 26 países como solução alternativa e eficaz.
A verdade sobre o auxílio-reclusão
Um dos momentos mais esclarecedores da entrevista foi a explanação sobre o auxílio-reclusão, benefício previdenciário frequentemente atacado por desinformação nas redes sociais e até em ambientes políticos.
“De 108 recuperandos que temos aqui, apenas cinco recebem o auxílio. E isso porque estavam empregados com carteira assinada antes de serem presos. O traficante, por exemplo, não ficha ninguém. Não existe essa história de que todos recebem o benefício”, explicou Francisco.
A fala desmonta a ideia, repetida como fake news, de que todos os presos recebem auxílio financeiro do governo. Na realidade, o benefício é restrito a dependentes de segurados de baixa renda e que contribuíam ao INSS, na época em que foram presos — como qualquer outro trabalhador formal.
“Tem que parar de espalhar mentira. Isso só alimenta o ódio e o preconceito.”. Francisco explicou ainda que possivelmente entre os 900 presos da Floramar, por volta de 60 detentos devem receber o auxílio reclusaõ.
Internacionalização da metodologia APAC
A visita à unidade em Divinópolis contou também com a presença de representantes de outro país, como o Rodrik que é de Malawi, na África. Francisco afirmou que 26 países já copiam a metodologia brasileira, e que o intercâmbio internacional tem sido motivo de orgulho para a equipe e voluntários da APAC.
“Estamos mostrando ao mundo que é possível sim ressocializar. Que não é utopia. É esforço, fé, disciplina e humanidade.”
A entrevista com Francisco Martins é um retrato de esperança e prática real de justiça restaurativa. Em tempos onde punição e vingança são confundidas com justiça, a APAC se coloca como antítese do encarceramento em massa e da desinformação. E como exemplo concreto de que **recuperar um ser humano é melhor — e mais eficiente — do que destruí-lo.
Por ocasião da visita do editor do Divinews, Geraldo Passos à APAC, que após conhecer todo o projeto e as instalações fisicas e mesmo as obras de expansão que propiciará aumentar o número de recuperando, e ainda a criação de uma ala feminina. O presidente da Prison Fellowship do Malawi, Roderick, também estava a entidade, com o objetivo de levar tal modelo para o seu pais. (veja matéria em breve)
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E as famílias que eles destruíram? Vidas que tiraram? Etc… Tem alguém ajudando essas famílias?? Esse país é uma vergonha….precisa ter urgente pena de morte. Inversão de valores que chama isso aí.