Depois de 37 dias de internação, o papa Francisco finalmente deu as caras — e emocionou quem estava esperando por esse momento. Neste domingo (23), por volta do meio-dia (8h no Brasil), o pontífice apareceu de cadeira de rodas na varanda do 5º andar do hospital Agostino Gemelli, em Roma, onde ficou internado por mais de um mês.
A imagem, simples e poderosa, mostrou o papa acenando aos fiéis e agradecendo com a voz ainda ofegante, mas firme. “Obrigado a todos. Vejo uma senhora com flores amarelas. Boa!”, brincou ele, antes de fazer o sinal da cruz e, discretamente, dar sinais de que ainda está se recuperando — rolou até um início de tosse. A aparição foi rápida, durou pouco mais de um minuto, mas o suficiente para gerar comoção.
Alta e passagem simbólica
Logo depois, ele deixou o hospital. Apesar de estar com um cateter nasal no carro, na sacada apareceu sem o dispositivo. A primeira parada pós-alta foi a Basílica de Santa Maria Maior, como já é de costume — é o local onde ele costuma ir depois de viagens importantes e também pediu para ser enterrado lá. Em seguida, seguiu para o Vaticano.
Angelus escrito e recado direto sobre Gaza
Antes mesmo da aparição, o Vaticano já tinha divulgado o texto do Angelus — tradicional oração dominical que o papa costuma fazer da janela do Palácio Apostólico. Como ainda está em recuperação, essa foi a sexta vez seguida que o Angelus foi lido por escrito.
No texto, Francisco compartilhou um lado mais humano: “Neste longo período de hospitalização, tive a oportunidade de experimentar a paciência do Senhor, que vejo refletida também na preocupação incansável dos médicos e dos profissionais de saúde, bem como na atenção e nas esperanças das famílias dos enfermos”.
Ele também não deixou de tocar em temas pesados. Sobre o conflito entre Israel e Hamas, foi direto: “Peço que silenciem imediatamente as armas e que se tenha coragem de retomar o diálogo. Todos os reféns precisam ser libertados, e um cessar-fogo definitivo precisa acontecer. A situação humanitária em Gaza está gravíssima”.
Apoio político e carinho popular
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, foi a única autoridade que o visitou durante o período no hospital. Após a alta, publicou no X (antigo Twitter): “Estou feliz de saber que o papa está voltando ao Vaticano. A ele, um pensamento especial e os melhores votos, com carinho e gratidão”.
Desde cedo, neste domingo, fiéis começaram a se reunir na entrada do hospital, perto da estátua de João Paulo II — que também foi paciente frequente do Gemelli. Rosários, flores e velas foram deixados por ali como forma de homenagem e fé.
Estado de saúde e recuperação
Com 88 anos, o papa se recupera de uma pneumonia bilateral e já superou quatro crises respiratórias sérias. Segundo os médicos, em ao menos duas ocasiões ele correu risco de morte.
Agora, o tratamento segue na Casa Santa Marta, no Vaticano, onde ele deve ficar em repouso por pelo menos dois meses. Além disso, vai passar por sessões de reabilitação motora e respiratória.
A mensagem final? O papa está de volta, mais frágil fisicamente, mas ainda com muita força espiritual e disposição para falar de fé, paz — e até para fazer piada com flores amarelas.






