Um caso de racismo foi registrado na manhã desta sexta-feira (21) dentro do Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC), em Divinópolis. A servidora municipal HELIANE RAIMUNDA ASSUNCAO denunciou um colega de trabalho por injúria racial, após ser chamada de “macaca” durante o expediente. A Polícia Militar foi acionada e conduziu o servidor até a Delegacia de Polícia Civil.
De acordo com o relato da vítima, ela estava temporariamente no setor de distribuição de senhas, cobrindo uma colega que havia saído para reunião, quando o servidor Marcelo — também funcionário da Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) — chegou até o guichê. Heliane narra que Marcelo, ao se referir à substituição, teria dito: “Você viu, ela te chamou de macaca?”, ao que a própria vítima respondeu: “Não Marcelo, foi você quem me chamou, e eu não sou macaca, sou ser humano.”
Ainda segundo a servidora, a colega que estava sendo substituída, surpresa com a fala, questionou Marcelo: “Por que você está falando isso? Eu não falei nada.” Marcelo teria então completado: “Porque quem quebra galho é macaca.” A vítima afirma que, após o episódio, entregou a senha solicitada e não respondeu mais ao servidor. Em seguida, comunicou o ocorrido à chefia imediata.
Após o almoço, Heliane acionou a Polícia Militar, que compareceu ao local e conduziu Marcelo até a Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos. No entanto, o delegado de plantão qualificou o caso como injúria racial, e o suspeito foi liberado após os procedimentos legais.
Versão do acusado
Em sua versão, prestada ainda no local à Polícia Militar, Marcelo afirmou que tudo não passou de uma “brincadeira infeliz”. Segundo ele, ao ser informado por Heliane de que seria atendido pela colega Heliane durante as férias dela, respondeu em tom descontraído: “Macaco gordo é que quebra galho.” Ele declarou ainda que pediu desculpas assim que percebeu que o comentário foi mal interpretado e que não teve intenção de ofender.
Providências
A servidora registrou oficialmente o pedido de providências junto à Delegacia, e o caso será investigado como injúria racial, tipificação legal aplicada a ofensas com motivação discriminatória. O episódio reforça a importância de um ambiente de trabalho respeitoso e livre de qualquer tipo de preconceito, especialmente dentro de instituições públicas.
O Município de Divinópolis ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ocorrido, mas a expectativa é que medidas administrativas também sejam analisadas pelas instâncias competentes.
Relatos no Boletim de Ocorrência
FOMOS SOLICITADOS A COMPARECER AO CENTRO DE ATENDIMENTO AO CIDADAO (CAC) DA PREFEITURA MUNICIPAL DE DIVINÓPOLIS, ONDE A SRA. HELIANE RAIMUNDA ASSUNÇÃO, AUXILIAR ADMINISTRATIVA DA ÁREA DA SAÚDE TERIA NOS RELATADO O SEGUINTE FATO: QUE SE ENCONTRAVA TRABALHANDO NO GUICHÊ DE DISTRIBUIÇÃO DE SENHAS NA AUSÊNCIA DE SUA COLEGA SONIA MARTA XAVIER DE MELO. QUE NO MOMENTO EM QUE SONIA RETORNOU, CHEGOU TAMBÉM O FUNCIONÁRIO MARCELO GOMES CUNHA. QUE ESTE TERIA PEDIDO ALGUMAS SENHAS A SÔNIA E ESTA LHE DISSE QUE IRIA SAIR DE FÉRIAS E QUEM EM SEU LUGAR SERIA A SRA. HELIANE, QUE ESTAVA NO GUICHÊ DE SENHAS NO MOMENTO. QUE MARCELO TERIA DITO A HELIANE: “EU NÃO QUERO FALAR COM VOCÊ, EU QUERO FALAR COM ELA (SONIA). QUE SONIA DISSE A MARCELO QUE NAQUELE MOMENTO HELIANE ESTAVA “QUEBRANDO UM GALHO”. QUE MARCELO TERIA DITO A HELIANE: “VIU? ELA ESTÁ TE CHAMANDO DE MAСAСО”. QUE SONIA TERIA SE ASSUSTADO E NEGADO TER FALADO AQUILO. QUE HELIANE REFORÇOU DIZENDO “FOI VOCÊ (MARCELO) QUEM FALOU. EU NÀO SOU MACACA. EU SOU UM SER HUMANO. QUE MARCELO ENTÃO LHE PEDIU DESCULPAS. QUE SONIA QUESTIONOU MARCELO, PERGUNTANDO PORQUE ELE DISSE QUE ELA TERIA FALADO AQUILO. MARCELO ENTÃO RESPONDEU A SONIA DIZENDO QUE “QUEM QUEBRA GALHO É MACACO”. RELATA A SRA. HELIANE QUE SE SENTIU BASTANTE OFENDIDA E ENTENDEU QUE O TERMO |”MACACA” FOI USADO EM RAZÃO DE SUA COR DA PELE.
SEGUNDO O SR. MARCELO GOMES CUNHA, TRABALHA COMO AUXILIAR ADMINISTRATIVO NA ÁREA DA SAÚDE NO CENTRO DE ATENDIMENTO AO CIDADÃO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE DIVINÓPOLIS. QUE HOJE PELA MANHĂ, POR VOLTA DE OSH3OMIN FOI ATÉ O GUICHÊ ONDE SAO DISTRIBUÍDAS AS SENHAS DA SAÚDE. QUE A PESSOA RESPONSÁVEL, SRA. SONIA MARTA XAVIER DE MELO TERIA LHE DITO QUE IRIA SAIR DE FÉRIAS, QUE QUEM LHE ATENDERIA (QUEBRARIA O GALHO) NESSE PERÍODO SERIA A SRA. HELIANE RAIMUNDA ASSUNÇÃO, A QUAL ESTAVA A SEU LADO. QUE TERIA FEITO O SEGUINTE COMENTARIO, SEGUNDO ELE, EM TOM DE BRINCADEIRA: “MACACO GORDO É QUE QUEBRA GALHO”. QUE PEDIU DESCULPAS A HELIANE AO PERCEBER QUE SUA TIPO FALA FOI DE BRINCADEIRA. INFELIZ E DISSE QUE NÃO TINHA A INTENÇÃO DE ONFENDÊ-LA. QUE SUA COLEGA DISSE QUE NÃO GOSTAVA DESSE TIPO DE BRINCADEIRA.
DIANTE DOS FATOS E DO PEDIDO DE PROVIDENCIA POR PARTE DA VÍTIMA CONDUZIMOS MARCELO GOMES CUNHA ATÉ A DELEGACIA DE POLÍCIA.
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Retificando: Leia-se Federação de moradores de bairros e Conselhos Comunitários Rurais de Divinópolis
Gostaria imensamente de ver o desfeixo deste caso. Por ser semelhante ao episódio em que uma ofensa neste sentido fora deferida a uma voluntária da Fambaccord. Federação de moradores de bairros e conselhos municipal rural de Divinópolis, que inclusive chegou ao conhecimento da Câmara Municipal de Divinópolis