Exclusivo: Ex-coordenador e conselheiro da ADEFOM é condenado a 60 anos por crime de estupros de vulneráveis: Justiça, e alerta contra a impunidade

Publicado por: Geraldo Passos

Milton Henriques de Oliveira, de 74 anos, ex-coordenador e conselheiro da ADEFOM (Associação dos Deficientes do Oeste de Minas), foi condenado pela Justiça a 60 anos de prisão em regime fechado por abuso sexual de menores. O caso, descoberto em 2022, expõe a gravidade dos crimes cometidos e o impacto devastador sobre as vítimas e suas famílias – Mais do que um relato jornalístico sobre um crime hediondo já julgado pela Justiça, este caso serve como um alerta contundente para que famílias e a sociedade em geral mantenham-se vigilantes. Pessoas que aparentam estar acima de qualquer suspeita podem esconder comportamentos criminosos e abusivos – É imprescindível que esses abusos sejam denunciados e que os culpados não permaneçam impunes, transitando livremente na sociedade como se nada tivesse ocorrido. Denunciar é um ato de responsabilidade coletiva que impede a reincidência de crimes e protege outras potenciais vítimas.

  • Detalhes do Caso e a Descoberta dos Crimes

Os abusos ocorreram ao longo de anos e muitas vezes na casa na casa onde Milton residia. Ele se aproveitava de momentos em que ficava sozinho com as crianças para cometer os atos criminosos. Segundo os depoimentos, as vítimas relataram padrões semelhantes de abuso, incluindo toques inapropriados e comportamentos que iam além disso, como masturbação na frente delas. As agressões também aconteceram durante viagens quando as crianças estavam sozinhas.

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A revelação dos crimes ocorreu quando uma das vítimas, em um momento de desespero, contou o que havia acontecido, levando à descoberta de outras agressões. O crime foi denunciado imediatamente às autoridades, iniciando então uma investigação que revelou detalhes ainda mais alarmantes e sórdidos. Durante o processo as crinças relataram pormenores do caso, em oitiva outras duas outras pessoas também confessaram terem sido abusadas por ele durante a infância.

  • Impacto nas Vítimas e na Família

A família das vítimas sofre profundas sequelas emocionais e psicológicas. O pai de duas das crianças procurou e relatou ao Divinews  que enfrenta dificuldades para dormir tendo que tomar 11 comprimidos,  e necessita de acompanhamento médico para lidar com a situação. sua mãe, segunda esposa de Milton, ficou em choque ao descobrir os abusos e imediatamente rompeu o relacionamento e se separou. Ela afirmou que nunca suspeitou do comportamento do ex-marido.

As vítimas foram ouvidas com o acompanhamento de psicólogos especializados, e seus relatos consistentes foram fundamentais para a condenação. As crianças narraram como o medo e a vergonha as impediram de denunciar antes, temendo represálias ou a desestruturação da família.

  • Justiça e a Condenação de Milton Henriques

O juiz Ivan Pacheco de Castro destacou em sua sentença que Milton cometeu os crimes de maneira premeditada e reiterada, utilizando-se da vulnerabilidade das crianças para satisfazer sua lascívia. A pena de 60 anos em regime fechado reflete a gravidade dos atos e a necessidade de proteger a sociedade de comportamentos como o dele, que até então era uma pessoa acima de qualquer suspeita.

A defesa do acusado tentou desqualificar os depoimentos, alegando que os contatos foram acidentais e que havia uma suposta perseguição pessoal contra ele. No entanto, as provas e os testemunhos corroboraram os relatos das vítimas, deixando clara a intenção criminosa de Milton.

  • Contraditório da ADEFOM: Posicionamento da entidade sob questionamentos

Na sequência de reportagens sobre os crimes envolvendo Milton Henriques, ex-conselheiro da Associação dos Deficientes do Oeste de Minas (ADEFOM), o Divinews tentou contato com o presidente da entidade, João Galvão, na tarde da última quinta-feira (16). O objetivo era obter esclarecimentos sobre a situação de Milton na instituição. Contudo, apenas na manhã do último sábado (18), após diversas tentativas de comunicação, o presidente enviou uma resposta via WhatsApp.

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No comunicado, João Galvão alegou que o contato do Divinews seria baseado em informações publicadas por outro veículo de comunicação, o que foi prontamente contestado pelo portal. Galvão afirmou que a ADEFOM e seus diretores só tomaram conhecimento do caso devido a reportagem em tal veículo,  um posicionamento que se mostra desconexo com os fatos, considerando que ele próprio foi uma das testemunhas ouvidas no processo judicial.

Ausência de Nota de Repúdio e justificativa controversa

O presidente da ADEFOM, mais o assessor juridico, na Nota reforçaram que: “A ADEFOM é uma instituição com mais de 40 anos, responsável pela proteção e cuidado com centenas de pessoas. É leviano querer que a ADEFOM responda por questões relativas à vida privada de seus associados.” O comunicado ainda citou o sigilo judicial do caso.  Apesar disso, o Divinews apurou que a entidade, mesmo ciente das investigações, não emitiu qualquer Nota, como exemplo, o afastamento do ex-conselheiro, que ocupava uma posição de destaque na organização. É fato também, que em agosto deste ano, uma publicação em redes sociais da própria ADEFOM mostrou Milton em uma foto institucional, indicando que ele continuava a frequentar a entidade mesmo após o início das apurações judiciais do processo.

Contradições e clamor por transparência

A ausência de um posicionamento firme da ADEFOM sobre o caso gera questionamentos. Funcionários da entidade também foram ouvidos durante o processo, o que reforça que a diretoria tinha conhecimento do ocorrido desde o início, e não apenas a partir da publicação da matéria em outro veiculo.  Além disso, a omissão em repudiar publicamente, mesmo que de forma subliminar, sem entrar em detalhes, os atos de Milton Henriques contrasta com o papel da ADEFOM como uma organização voltada para o social, e bem-estar de uma comunidade especificamente carente. O Divinews segue acompanhando o caso e reafirma o compromisso com a busca por respostas claras e a transparência, mesmo em instâncias superiores.

  • Divulgação e Prevenção: Um Passo Crucial no Combate à Pedofilia

A divulgação do nome e dos crimes de Milton Henriques de Oliveira não é apenas um ato de justiça, mas uma forma de alertar outras famílias e potenciais vítimas. Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal, expor a identidade de condenados por pedofilia é uma medida de segurança pública que não viola direitos fundamentais. Essa abordagem visa não apenas evitar novos crimes, mas também encorajar mais pessoas a denunciarem abusos.

  • Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais: Uma Nova Ferramenta de Proteção

Em um marco significativo para a segurança pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.035/24, que cria o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais. O sistema, anunciado no Diário Oficial da União em 28 de novembro, tem como objetivo facilitar o acesso às informações sobre condenados em primeira instância, ampliando a proteção de mulheres e crianças contra ataques de potenciais predadores.

Como Funciona o Cadastro

O cadastro será desenvolvido a partir dos dados do Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Crime de Estupro e permitirá acesso ao nome completo e ao número de CPF de réus condenados em primeira instância por crimes sexuais, como:

  • Estupro e estupro de vulnerável;
  • Registro não autorizado da intimidade sexual;
  • Manutenção de casa de prostituição;
  • Favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual;
  • Rufianismo (cafetinagem);
  • Mediação para servir à lascívia de outra pessoa.

O sistema também trará informações sobre penas ou medidas de segurança impostas aos condenados, que serão monitorados por dispositivos eletrônicos. Caso o réu seja absolvido em grau recursal, o sigilo sobre as informações voltará a ser restabelecido. As informações sobre as vítimas, porém, permanecerão sempre protegidas.

Um Instrumento Vital para a Proteção

“O Cadastro Nacional de Pessoas Condenadas por Crime de Estupro é um instrumento importante para a proteção de mulheres, crianças e adolescentes contra ataques de potenciais predadores sexuais, permitindo que se tomem medidas preventivas para evitar que se tornem vítimas desse tipo de delinquentes”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.

O Debate Sobre o Veto

Embora a lei represente um avanço significativo, o presidente vetou o trecho que determinava que as informações no cadastro ficassem disponíveis para consulta pública por um prazo de dez anos, isso após o cumprimento da pena. Segundo a mensagem enviada ao Congresso Nacional, essa medida seria inconstitucional por violar os princípios de intimidade, vida privada, honra e imagem do condenado.

Prevenção e Transparência

A criação do Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais é um passo crucial na proteção de mulheres e crianças. Além de facilitar o monitoramento de criminosos, a iniciativa reforça a necessidade de medidas preventivas e de maior transparência na luta contra crimes sexuais. Esse avanço legislativo reflete o compromisso do Brasil em combater a impunidade e criar ferramentas eficazes para garantir a segurança de suas comunidades.

  • Divulgação de Informações Sob Segredo de Justiça: O Papel do Jornalismo e os Limites da Lei

A revelação da identidade de Milton Henriques de Oliveira, condenado por crimes de pedofilia, gera discussões sobre os limites legais e éticos na divulgação de informações sob segredo de justiça. Embora o acesso a processos com essa classificação seja restrito às partes envolvidas e seus advogados, o direito dos jornalistas em informar a sociedade sobre temas de relevante interesse público é protegido pela Constituição Federal.

O segredo de justiça é uma exceção à regra da publicidade dos atos processuais. Ele visa proteger as partes envolvidas e garantir a confidencialidade de informações sensíveis. A divulgação de dados confidenciais por parte de terceiros que têm acesso direto ao processo pode ser punida com detenção, multa ou reclusão, conforme previsto no Código Penal.

Por outro lado, o jornalista que recebe essas informações de terceiros não comete crime ao divulgá-las, desde que não tenha participado da quebra do sigilo. Esse entendimento baseia-se no direito constitucional à liberdade de imprensa e na proteção da fonte, prevista no artigo 5º, inciso XIV, da Constituição Federal.

O Caso do STF em 2015: Um precedente relevante

Um exemplo notável dessa dinâmica ocorreu em 2015, quando um jornalista divulgou informações sigilosas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal. No caso, o profissional recebeu os dados de terceiros e publicou o conteúdo em um veículo de comunicação de massa. As autoridades consideraram que ele não poderia ser investigado, pois não participou da quebra do sigilo.

Da mesma forma, no caso de Milton Henriques, as informações foram entregues ao jornalista do Divinews que exerceu seu papel de informar o público, respeitando os limites legais. A divulgação não apenas trouxe luz a um crime de grande impacto social, mas também reforçou a importância do jornalismo como ferramenta de transparência e justiça.

  • Importância da publicidade em casos de interesse público

A exposição de condenados por crimes de pedofilia tem sido reconhecida como uma medida de segurança pública. Segundo decisões judiciais recentes, a divulgação desses dados pode prevenir novos crimes e incentivar outras vítimas a denunciarem abusos.

Casos como o de Milton Henriques ilustram o papel essencial do jornalismo em noticiar temas sensíveis de interesse público, sempre respeitando os limites impostos pela legislação. A liberdade de imprensa não apenas fortalece a democracia, mas também assegura que a sociedade seja informada, promovendo maior conscientização e prevenção de crimes.

  • Chamado à Sociedade

Este caso deve servir como um alerta para a necessidade de vigilância constante contra crimes de abuso sexual. Famílias, escolas e instituições precisam estar atentas a sinais de abuso e criar um ambiente em que as vítimas se sintam seguras para relatar os crimes. O pai de duas vítimas entrevistado pelo Divinews disse por que procurou o Divinews com o objetivo de qua a imagem do réu já condenado pela Justiça fosse divulgada:  “Minha família já está destroçada. O que não posso permitir é que outras famílias passem por isso. Eu me sentiria culpado, e essa culpa não quero carregar”. Ele intui ainda que, a partir da divulgação novas vítimas possam aparecer, diante do cargo que o criminoso exercia na instituiçao.

olaboração de IA

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  1. Ursula disse:

    Que absurdo. Quanto tempo isso já acontece e esse canalha andando nas ruas como se fosse um coitado

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