Grupo ataca travestis em Contagem e chamam agressão de “brincadeira”

Grupo utilizou produto químico contra travestis em ação planejada; vítimas denunciam violência recorrente

Publicado por: Redação

Seis pessoas foram indiciadas por crimes relacionados à transfobia após atacarem três travestis em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os suspeitos utilizaram extintores de incêndio para lançar o produto químico contra as vítimas, alegando que queriam “apagar o fogo das meninas”. O ataque, ocorrido em fevereiro deste ano, só teve o inquérito concluído pela Polícia Civil no início de dezembro. Apesar disso, nenhum dos envolvidos foi preso até o momento.

O grupo, composto por três casais, utilizou motocicletas para se deslocar até a Via Expressa, no bairro Água Branca, onde atacaram travestis que trabalhavam na região. Em seguida, eles repetiram o ato no bairro Jardim Industrial, utilizando um extintor furtado de um posto de gasolina. Segundo o delegado Marcus Vinicius Gontijo Monteiro, responsável pelo caso, apenas duas das três vítimas decidiram formalizar denúncia contra os suspeitos.

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A investigação avançou após um vídeo circular nas redes sociais, em que um dos agressores admite o ataque e tenta justificar a ação dizendo que “eles não respeitam ninguém”. Em depoimento à polícia, os suspeitos afirmaram que estavam sob efeito de álcool e alegaram que tudo não passou de uma “brincadeira”. Entretanto, as vítimas relataram que episódios de violência como esse são comuns em sua rotina.

Os acusados foram indiciados por uma série de crimes, incluindo injúria transfóbica, transfobia, furto qualificado, associação criminosa e infrações de trânsito, como direção perigosa e condução sem habilitação. Durante as investigações, a Polícia Civil realizou buscas nas residências dos envolvidos para apreender materiais que pudessem contribuir com o caso.

Violência recorrente e impunidade

O caso é mais um exemplo da violência enfrentada pela comunidade trans no Brasil, país que lidera os índices de assassinatos e agressões contra pessoas trans no mundo. As vítimas destacaram que ataques como esses não são isolados, mas refletem um cenário de transfobia estrutural e desamparo.

Embora o inquérito tenha sido concluído, a ausência de prisões reforça a sensação de impunidade, que muitas vezes acompanha crimes contra pessoas LGBTQIA+. A sociedade civil e movimentos de defesa dos direitos humanos têm cobrado ações mais rigorosas para combater esse tipo de violência.

O ataque em Contagem expõe, mais uma vez, a necessidade urgente de políticas públicas que garantam a segurança e os direitos das pessoas trans, além da responsabilização efetiva de agressores. O caso segue sendo acompanhado por ativistas e organizações, que esperam por justiça para as vítimas e punição exemplar aos responsáveis.

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