O projeto “Ginga: construindo a educação antirracista em Minas Gerais” foi lançado nesta quarta-feira (04), em Belo Horizonte, com a proposta de promover mudanças profundas na forma como o racismo é abordado nas escolas. A iniciativa, que terá duração de 18 meses, é uma parceria entre o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), a Secretaria de Estado de Educação (SEE), o Instituto AGÔ e a Plataforma Semente. Com essa ação, cerca de 3.400 escolas estaduais serão diretamente impactadas, alcançando mais de 1,7 milhão de estudantes, sendo 62% deles autodeclarados negros.
Inspirado na capoeira, símbolo de movimento e resistência, o projeto carrega o compromisso de reverter práticas discriminatórias e abrir espaço para debates sobre igualdade e inclusão. A promotora de Justiça Ana Carolina Zambom, do MPMG, explicou que o Ginga nasceu como uma ampliação do programa antirracista “Sobre Tons” e tem como objetivo mudar mentalidades. Segundo ela, a ideia é trabalhar dentro das salas de aula para desconstruir preconceitos e incentivar o diálogo entre professores e alunos sobre tolerância e respeito às diferenças.
A proposta também foi destacada pelo secretário de Educação do Estado, Igor Alvarenga, que reforçou a importância de tratar o tema de maneira contínua e consistente, garantindo que todas as escolas da rede estadual recebam esse trabalho de conscientização.
O evento de lançamento, realizado no Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino de Minas Gerais, contou com apresentações culturais e depoimentos que emocionaram o público. A jornalista e apresentadora Fabiana Almeida compartilhou os desafios que enfrentou ao longo de sua carreira devido ao racismo, enquanto o professor Rodrigo Ednilson, da Universidade Federal de Minas Gerais, destacou o papel da educação no combate às desigualdades raciais.
A assinatura de um Memorando de Intenções entre o MPMG e a SEE formalizou o compromisso com o projeto, que busca ser mais do que uma iniciativa temporária: a meta é criar uma nova cultura escolar, onde a diversidade seja valorizada e o racismo, combatido. A expectativa é que o Ginga inspire outras ações no país, usando a educação como uma ferramenta de transformação para construir um futuro mais justo e igualitário.






