O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou duas empresas e 22 pessoas – entre proprietários, gerentes e responsáveis técnicos – por crimes relacionados a um esquema de comercialização de carne imprópria para o consumo humano. Os envolvidos são acusados de integrar uma organização criminosa e de praticar crimes como maus-tratos a animais, falsificação de documentos, falsidade ideológica e ações que colocaram em risco a saúde pública. O caso veio à tona por meio da operação Fort Summer, deflagrada em março, e envolve frigoríficos da cidade de Formiga.
De acordo com a investigação, os denunciados compravam animais doentes a preços baixos, realizavam abates clandestinos e utilizavam métodos fraudulentos para inserir as carnes no mercado, inclusive para escolas municipais por meio de licitações. Segundo o MPMG, as carnes ofereciam alto risco de transmissão de doenças e para viabilizar o esquema, os envolvidos falsificavam selos do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e empregavam estratégias para driblar a fiscalização, lucrando com a distribuição de produtos ilegais a preços competitivos. O esquema operava como uma estrutura empresarial informal, com cada empresa desempenhando uma função específica, desde o abate e beneficiamento dos animais até a distribuição dos produtos.
A denúncia foi elaborada pela 2ª Promotoria de Justiça de Formiga e pela Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais. Os promotores afirmaram que o modelo criminoso foi estruturado de maneira organizada para maximizar os lucros, mesmo às custas de riscos à saúde da população e do bem-estar animal.
O caso gerou indignação em Formiga e em toda a região, tanto pelo impacto na saúde pública quanto pelos maus-tratos aos animais. A operação Fort Summer não só desmantelou o esquema, como também expôs as fragilidades em processos de fiscalização e licitação. As denúncias agora aguardam análise da Justiça, que decidirá sobre a responsabilização dos envolvidos.






