Letícia Aparecida Quadros Faria tem 36 anos, e é uma atleta de vôlei e deficiente auditiva que, desde a adolescência, brilha em quadras de todo o Brasil e em torneios internacionais. Com uma perda auditiva de 75 decibéis, ela representa o Brasil pela Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS) e se prepara para o próximo grande desafio: a Surdolimpíada em Canoas (RS), que acontece em novembro de 2024, onde ela e suas colegas de equipe têm grandes chances de medalha.
A história de Letícia começou em Bauru, São Paulo, onde, aos 15 anos, se apaixonou pelo vôlei enquanto jogava pelo SESI. Desde então, foram anos de dedicação, passando por competições municipais e estaduais, até ser notada em 2016 pelo técnico da Seleção Brasileira em um torneio no Rio de Janeiro. O convite para participar do processo seletivo de atletas surdos que representariam o Brasil foi um ponto de virada em sua carreira, consolidando seu lugar no vôlei adaptado.
Em 2017, Letícia fez sua estreia internacional na Turquia, participando de um torneio em Istambul pela Seleção Brasileira. Desde então, a atleta coleciona títulos e medalhas. Em 2019, por exemplo, garantiu o título de campeã com a Seleção Paulista na Surdolimpíada Nacional em Pará de Minas (MG) e conquistou o vice-campeonato Panamericano em Brasília, levando o Brasil ao segundo lugar ao lado de suas colegas, após um embate final contra os Estados Unidos.
Ainda em 2021, Letícia ajudou a Seleção Paulista a conquistar o bicampeonato da Surdolimpíada Nacional em São José dos Campos. Em 2022, integrou a Seleção Brasileira na competição realizada em Caxias do Sul, RS. E, neste ano, 2024, Letícia voltou a Brasília com a Seleção Paulista para mais uma edição das Surdolimpíadas, alcançando o segundo lugar.
Hoje, Letícia treina com afinco na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) de Divinópolis, sob o comando do técnico Rosemberg, e mantém uma rotina intensa de preparação física e tática. Além disso, participa de campeonatos locais, como os torneios pela equipe Diviminas e pelo time Sinergia, com os técnicos Erom e Fera, respectivamente.

Foto: Letícia, companheiras e comissão técnica da seleção de vôlei das surdo atletas da CBDS. – Reprodução/Arquivo pessoal
O caminho percorrido por Letícia é de pura superação, uma atleta que transcende barreiras e inspira novas gerações de surdoatletas. No próximo torneio em Canoas, ela busca novamente colocar o Brasil no pódio, trazendo consigo a experiência de anos de dedicação e a força de quem não desiste diante das adversidades. “Vamos torcer e lutar para trazer a medalha de ouro”, afirma com entusiasmo.
Para Letícia, o vôlei é mais do que um esporte: é uma ferramenta de transformação e empoderamento, que a impulsiona a lutar cada dia mais, tanto na vida quanto nas quadras.







