Os torcedores do Botafogo que chegaram a Montevidéu para o confronto contra o Peñarol, pela Copa Libertadores, têm enfrentado um clima de medo e evitado ostentar símbolos do time nas ruas da cidade. Desde a chegada, há relatos de hostilidade por parte de uruguaios, com alguns proferindo ameaças dentro de aviões que transportavam os alvinegros. Um grupo de torcedores, na noite de segunda-feira (28), teve o táxi cercado por locais, embora não tenha ocorrido agressão física.
Diante desse cenário de tensão, um encontro de botafoguenses, previsto para a noite de terça-feira (29), foi cancelado por questões de segurança. Além disso, uma cartilha de orientações foi distribuída entre os torcedores no Uruguai, recomendando evitar o uso de camisas do Botafogo, não andar em grandes grupos e evitar cantar ou falar português em espaços públicos. A preocupação com a segurança cresceu tanto que muitos torcedores já preferem que a partida seja realizada sem a presença de público.
Até o momento, não houve incidentes graves, mas a sensação de insegurança é generalizada. A Conmebol está em negociação com as autoridades uruguaias para permitir a presença de torcedores visitantes, embora haja um decreto governamental proibindo isso. Caso as condições de segurança não sejam garantidas, existe a possibilidade de o jogo ser realizado com portões fechados ou até mesmo em outro local.
Influenciadores e jornalistas que estão acompanhando o time em Montevidéu relataram casos de xenofobia e racismo por parte de alguns uruguaios em voos e nas ruas. O influencer botafoguense Gustavo Chagas comentou que, apesar de sua experiência pessoal ter sido relativamente tranquila, o clima entre os torcedores é de grande apreensão, com muitos reconsiderando ir ao estádio.
Outro ponto de preocupação para os torcedores do Botafogo é a cobertura da imprensa uruguaia. Segundo relatos, a mídia local tem replicado a narrativa do presidente do Peñarol, Ignacio Ruglio, que alega que houve uma emboscada da torcida alvinegra durante os confrontos no Rio de Janeiro, embora isso não tenha sido confirmado por testemunhas e comerciantes locais.
O temor crescente e as informações distorcidas têm contribuído para a sensação de insegurança em Montevidéu, levando os botafoguenses a optar pela discrição durante sua estadia na capital uruguaia.






