Segundo projeção inicial do Datafolha, e agora, às 19h confirmada oficialmente a reeleição do atual prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), sobre o deputado bolsonarista Bruno Engler (PL) – Fuad é o prefeito mais velho da história de Belo Horizonte, enquanto seu concorrente Engler foi o candidato mais novo a concorrer ao cargo.
Para projetar a vitória de Fuad, o Datafolha explicou que acompanhou os dados da apuração divulgados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e, por meio de um sistema próprio, fez a projeção do resultado considerando o peso que cada zona eleitoral tem em relação ao total de eleitores de cada cidade. Quando ocorreu um número razoável de votos apurados em todas as zonas eleitorais, foi possivel estimar que Fuad não poderia ser mais ser ultrapassado por Eangler e por isso projetou antecipadamente a vitória de FUAD.
Fuad também conseguiu uma virada, já que no primeiro turno o nome do PL havia largado na frente, com 34,38% contra 26,54% do candidato do PSD.
Mesmo contando com o apoio da esquerda, Fuad evitou atos públicos com nomes desse segmento para não afugentar um eleitorado de centro e de direita que votou em Mauro Tramonte (Republicanos) e Gabriel Azevedo (MDB), respectivamente terceiro e quarto colocados no primeiro turno.
Nas propagandas eleitorais, ele manteve a estratégia de ligar sua imagem às obras em andamento na cidade e reforçar que não tinha padrinho político, em contraste com seu adversário, apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e por nomes da direita no estado.
Ao mesmo tempo, a campanha do prefeito direcionou críticas a Engler por sua atuação como deputado estadual, considerada ausente, e ao enumerar as condenações sofridas pelo rival durante a campanha.
Na última semana da corrida eleitoral, Engler e seus aliados passaram a usar trechos de um livro escrito por Fuad em 2020 para afirmar que o prefeito era o autor de uma obra “pornográfica” e que fazia apologia ao estupro. A Justiça Eleitoral derrubou as veiculações da peça na TV e nas redes sociais.
As acusações contra o prefeito geraram uma série de direitos de resposta. A quantidade de inserções foi tamanha que a propaganda eleitoral, que deveria ter acabado na sexta, foi estendida para o sábado.
De acordo com a campanha de Fuad, o candidato teve direito a 84 minutos de direitos de resposta –considerando inserções em rádio e TV– de sexta até a véspera da eleição.
QUEM É FUAD NOMAN
Fuad assumiu a gestão de Belo Horizonte em março de 2022, após o então prefeito Alexandre Kalil (hoje sem partido) ter deixado o cargo para a disputa ao governo de Minas —que ele perderia para Romeu Zema (Novo) em primeiro turno.
No pleito deste ano, Kalil optou por apoiar Tramonte em vez do seu antigo vice e abalou uma relação de amizade que os dois tinham antes da disputa.
Outro desafio enfrentado por Fuad no primeiro turno foi seu desconhecimento junto à maioria da população de Belo Horizonte, que foi revertido após formar uma aliança partidária que o garantiu o segundo maior tempo de rádio e TV entre os candidatos.
Durante a campanha, o prefeito também passou por sessões de quimioterapia contra um linfoma não Hodgkin. Duas semanas antes do segundo turno, ele afirmou em sabatina da Folha e UOL que havia sido liberado pelo médico da sua rotina de tratamento.
Com 100% das urnas apuradas o TSE proclamou oficialmente o resultado: o atual prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), foi reeleito neste domingo (27), no 2º turno das Eleições Municipais de 2024, e permanece como chefe do Executivo da capital mineira pelos próximos quatro anos. Noman obteve 53,73% dos votos válidos (670.574), enquanto Bruno Engler, do Partido Liberal (PL), recebeu 577.537 votos (46,27%). Na capital mineira, foi registrado o comparecimento de 1.356.232 eleitoras e eleitores (68,05%) e a abstenção de 636.752 (31,95%). O total de votos válidos foi de 1.248.111, com 61.885 votos nulos (4,56%) e 46.236 votos em branco (3,41%).






